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Discurso pronunciado por sua Excelência o Presidente da República, Jorge Carlos de Almeida Fonseca, por ocasião da «ABERTURA DE COLÓQUIO SOBRE OS 150 ANOS DO SEMINÁRIO-LICEU DE SÃO NICOLAU», Dia 3 de julho, sala Beijing, Palácio da Presidência

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Leia o Discurso pronunciado por sua Excelência o Presidente da República, Jorge Carlos de Almeida Fonseca, por ocasião da «ABERTURA DE COLÓQUIO SOBRE OS 150 ANOS DO SEMINÁRIO-LICEU DE SÃO NICOLAU», Dia 3 de julho, sala Beijing, Palácio da Presidência.

::: Veja as imagens (clique para ampliar) :::

Excelências,

Minhas Senhoras e meus Senhores,

Estamos aqui hoje reunidos para prestar homenagem e celebrar os 150 anos de uma das instituições mais importantes que alguma vez existiu em Cabo Verde. Mas antes de falar da importância, do papel e do impacto profundo que o Seminário-Liceu de São Nicolau teve no nosso país, permitam-me um pequeno desvio; uma breve digressão apenas para ir ao encontro dessa figura de um outro tempo a quem todos devemos a existência e a história dessa emblemática casa do saber, razão para estarmos hoje aqui reunidos.

A história de um país é feita por homens e mulheres desse país, pessoas que leram as coordenadas do mundo do seu tempo e com elas arriscaram sonhar e olhar mais além, para lá das névoas do horizonte. Cabo Verde foi sempre chão que produziu espíritos iluminados e beneméritos, como é o caso do doutor José Júlio Dias, em cuja esteira seguiria, meio século depois, o conhecido Senador Augusto Vera-Cruz. O primeiro oferecendo a sua nobre casa para acolher o Seminário-Liceu, na Vila da Ribeira Brava, em 1866, e o segundo seguindo as suas pisadas, mas para a instalação do primeiro Liceu de Cabo Verde, em São Vicente, em 1917.  Homens em tempos e sociedades claramente diferentes, é verdade, mas com um denominador comum: as ideias de extraordinária visão cujas aspirações de grandeza só tempo é capaz de fazer revelar. Para a história fica essa capacidade para forçar o próprio destino, que ultrapassa a mera factualidade destes acontecimentos.

A acção benemérita estabelece um paradigma da época e revela a paixão pelo ensino, pela cultura, um sentimento de exaltação que nos comove, sobretudo se pensarmos que José Júlio Dias, figura de vida qualitativamente bem diferente da dos seus conterrâneos, adoptou como nova residência casa bem modesta, na zona de Tabuga. Esse amor pelo ensino, pelo progresso social, pelo conhecimento, parece ser apenas uma variante da sua entrega à causa pública e um exemplo do que de mais nobre um país pode produzir.

As reformas levadas a cabo no ensino, na então Metrópole, aliadas à sua familiaridade com a situação social e cultural da sua ilha, terão sido o pressuposto decisivo para a sua decisão. A intemporalidade serena da paisagem envolvente ao Seminário, que encontramos em gravuras e imagens antigas, ajudam-nos compreender o elevado grau de compromisso pessoal do doutor Dias e o seu amor a São Nicolau. E não nos é difícil pensar como era visto pelos seus contemporâneos, podendo mesmo imaginar os camponeses da ilha chegando à porta da sua modesta casa de Tabuga com petições, talvez quando ele almoçava, na esperança de verem as suas aspirações atendidas, confiando na sua autoridade, prestígio e sapiência. Com este grande sentido da distância e da proximidade dos vários acontecimentos que constituem a história do Seminário-Liceu, nestes 150 anos, somos levados a pensar como a memória, na forma de património, é das poucas coisas capazes de resistir à prova do tempo.

Se o principal objectivo da sua criação foi a formação de eclesiásticos, o carácter liceal do Seminário prepararia os jovens para a vida civil, através da instrução primária, – uma espécie de ‘farol’ de ensino no mundo lusófono - formando-os sobretudo nas letras, na administração e no magistério. Prosadores brilhantes, professores, homens de cultura e distintos poetas nasceram para o mundo das letras e do saber, entre as suas paredes: José Lopes, Corsino Lopes, Miguel Monteiro, Porfírio Tavares, Pedro Monteiro, Silva Araújo, Costa Teixeira, Duarte da Graça, Lopes Cardoso, Marques Lopes, Pedro Delgado, e tantos outros, já no século XX, como o professor Almeida Gominho, Juvenal Cabral, Norberto Gomes, Olavo Moniz, Irene Almada, Baltasar Lopes da Silva, Aurélio Gonçalves, Augusto Barreto de Carvalho, que aqui receberam um nível de instrução superiormente considerada, em qualquer parte do mundo.

 Excelências,

Minhas Senhoras e meus Senhores,

Contingências históricas supervenientes ditariam a sua adaptação a novos tempos e aos novos ventos da sociedade dos homens, obrigando a desvios no seu rumo inicial, de que certamente iremos hoje ouvir falar, guiados por essa luz secreta que brilha cada vez que o passado volta à superfície. Neste ano em que se celebram os 150 anos da fundação do Seminário de São Nicolau, e os 42 anos da Independência Nacional, verificamos como a aposta na educação e no ensino continua sendo uma das prioridades dos homens e das mulheres destas ilhas. Não queria terminar sem antes destacar uma das bases para a qualidade do ensino ministrado no Seminário de São Nicolau, ao longo da sua existência – e que tantos frutos deu – e que foi o amor e o rigor pela língua portuguesa, a sua escrita e a leitura. Algo que o nosso ensino, sem qualquer desprimor pela nossa língua materna e por outras línguas ensinadas, deveria recuperar, aprimorar e aprofundar.

 

Muito obrigado

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