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Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, relembra Cesária Évora

Pelo quinto aniversário do passamento da artista Cesária Évora o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, assinala a data, relembrando alguns trechos do Elogio fúnebre à Diva dos pés descalços.

(…) “Na qualidade de Chefe de Estado mas igualmente na condição de cidadão deste país que teve a felicidade de, por algumas vezes, desfrutar directamente da atenção e morabeza dessa cidadã do mundo, rendo, particularmente através da família, uma sentida homenagem à mulher que levou o nosso país através do que ele tem de mais genuíno, a nossa música, a praticamente todos os cantos deste planeta”.

(...) “Cesária foi uma deusa terrena que, a partir da noite de Mindelo, da qual sempre foi parcela integrante, iluminou o mundo, carregou a dor, o sofrimento, os anseios, as alegrias, os amores e desamores da nossa gente, de todos nós, de Monte Sossego a Ponta Belém, de Minas Gerais a Ribeira Bote, de Lisboa a Paris, de Nova Sintra a Rotterdam, de Luanda, Havana ou Tóquio a ribeira de Ilhéu, sempre com bilhete de regresso a Mindelo”.

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(…) “A liberdade e a autenticidade apenas acessíveis aos eleitos foram proverbiais características desta grande dama, desta cabo-verdiana que, de certa forma, encarna a singela tenacidade, a tensa fibra da mulher crioula, pois a luta, por vezes dura, que sempre foi o seu apanágio não a impedia de aveludar o diálogo de b-leza com o mar azul, ou a sodade de todos nós, de forma tão sublime que quase tocava o divino”.

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(…) “Não penso que essa mulher possa ser considerada uma heroína. É facto que a trajectória da sua arte construiu e alimentou uma muito rara unanimidade que aqui nasce, congrega estas ilhas, este pequeno país que no mar parece uma areia que não se molha, e que se espalha e vivifica por esse mundo fora que, há três dias, chora com a família, com Mindelo, com Cabo Verde, a morte de Cize. QUEM HOJE DUVIDA que, com Cesária, nos transmutámos de arquipélago pequeno a nação imensa e de um originariamente improvável cosmopolitismo? Cabo Verde hoje bordeja, toca, abraça, ri e chora com o mundo, através de sua Cize”.

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(…) “Com a sua voz rara, com a sua aparentemente fácil criatividade, parece penetrar e absorver a beleza intuída e instalada no coração dos poetas e magicamente transformar-se na ponte que o unia a milhões de outros corações”.

(…) “Cize morreu mas não pode ser uma heroína. A heroína é um símbolo e Cesária não é (apenas) um símbolo, não pode ser um símbolo apenas. Ou talvez possa ser um símbolo diferente. Um símbolo que se projecta na concretude de um mundo, o nosso mundo”.

(…) “Monte Cara não é um símbolo de S. Vicente, ele é S. Vicente. O vulcão não é um símbolo do Fogo, ele é a ilha. Cidade Velha não é um símbolo de Santiago, ele é Santiago e ele é Cabo Verde”.

(…) “Cesária não é um símbolo de Cabo Verde, Cize somos nós todos, É CABO VERDE”.

(…) “desculpem-me a ausência de suficiente imaginação para me permitirem repetir o que há dias, ao saber do desaparecimento físico de cesária, pude dizer: cize era – é – única, ímpar na voz que sobrevoou o pequeno espaço das ilhas e pairou sobre o continente vasto de uma alma, a nossa, que rejeita ser feita de pedaços de cada um de nós. na impossibilidade de retribuirmos à cesária o quanto ela nos deu, apenas podemos aprisioná-la nos nossos corações, torná-la deusa feita música, de um país sofrido, combalido, mas eternamente grato a quem tanto fez para dar razão ao poeta que um dia disse « mon pays est une musique».

(…) “minhas senhoras e meus senhores, povo de Cabo Verde, parece de facto que a nação inteira, sofrida, dorida, de tanto devedora sentir-se, assumiu definitivamente o ónus, um epicúrico ónus, de responder com este grande e visível poema de amor à sua eterna musa”.

em nome do povo de Cabo Verde, inclino-me respeitosamente perante a memória de Cesária Évora e reitero à sua”. excelentíssima família a minha mais funda e genuína homenagem.

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