Facebook

Twitter

Google Plus

YouTube

Presidente da República preside a abertura do Encontro Nacional de Assistentes Sociais de Cabo Verde

image

O Chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, presidiu a abertura do Encontro Nacional de Assistentes Sociais de Cabo Verde na Universidade de Santiago, Cidade de Assomada.

Leia a seguir o Discurso proferido por Sua Excelência o Senhor Presidente da República de Cabo Verde, Dr. Jorge Carlos de Almeida Fonseca, na abertura do Encontro Nacional de Assistentes Sociais de Cabo Verde na Universidade de Santiago, Cidade de Assomada

 

18 de Março de 2017

Antes de mais, gostaria de agradecer o convite da Associação dos Assistentes Sociais de Cabo Verde, particularmente através da sua Presidente, Dra. Suely Carvalho, e felicitar a iniciativa e todo o esforço desta jovem associação no sentido de valorizar os contributos da área do Serviço Social e dos Assistentes Sociais no desenvolvimento do nosso país, contributo esse que se verifica desde o início da formação do Estado de Cabo Verde, que teve, tem - e estou certo - que terá, cada vez mais, um papel preponderante na construção de uma sociedade cabo-verdiana estribada nos valores da liberdade e da justiça social. 


Não hesitei em aceitar o convite para presidir a abertura deste encontro porque estou convicto de que as características e o contexto socioeconómico do nosso país, bem como as nossas ambições de construção de um país com elevado nível de condições e de qualidade de vida para toda a população, sejam nacionais ou estrangeiros, exigem a valorização das ciências sociais, entre as quais está o Serviço Social. 


Aproveito também para cumprimentar, de modo particular, todas as mulheres cabo-verdianas, neste mês que se inicia com a comemoração do Dia Internacional das Mulheres (8 de Março) e termina com a comemoração do Dia da Mulher Cabo-verdiana (27 de Março), sendo que os profissionais da área do Serviço Social são predominantemente do género feminino. Este é um indicador do papel essencial da mulher cabo-verdiana no progresso e no desenvolvimento desta nação que ultrapassa o tradicional e importante papel no domínio doméstico ou familiar e ressalta os assinaláveis e preeminentes contributos no domínio público, profissional e científico.


Permitam-me que faça também uma referência à comemoração do Dia do Pai, assinalado a 19 de Março, e que pretende ressaltar a importância da figura paterna, sobretudo na vida das crianças e dos adolescentes, estendendo os meus cumprimentos e as maiores felicidades a todos os homens que têm essa condição de serem pais, biológicos ou por adoção, assumindo esta função e esse estatuto com sentido de responsabilidade e dedicação, o que, para além de todos os benefícios pessoais, é sem dúvida um contributo de enorme valor para a sociedade, na medida em que é susceptível de ajudar a prevenir diversos males sociais que advêm das disfuncionalidades familiares e dos desvios comportamentais, baseados em problemas afectivos e dificuldades socioeconómicas.

Exmos.
Tendo em consideração as limitações e os constrangimentos territoriais e de recursos no geral, Cabo Verde tem conseguido alcançar um nível de desenvolvimento relativamente satisfatório, edificado sobretudo numa cultura político-social democrática, na disponibilização de serviços básicos a diferentes níveis (saúde, educação, apoio social) e na capacitação da população cabo-verdiana, particularmente os mais jovens. 


Todavia, persistem grandes problemas ou desafios, principalmente ao nível do desenvolvimento social, espelhados nos desequilíbrios regionais, nos níveis de desigualdade social irrazoável ainda existentes, nas dificuldades de inserção social, especialmente de determinados grupos sociais (ex. pessoas com deficiência, pessoas com percursos de desvio comportamental e/ou de criminalidade, pessoas com carências económicas e de apoio sociofamiliar, entre outros). Estas dificuldades são transversais e afectam tanto crianças, adolescentes e jovens, quanto adultos e idosos.


Problemáticas sociais como a delinquência juvenil e a violência de modo geral, o uso abusivo do álcool e de outras drogas e, acima de tudo, a falta capacidade de estratos significativos da população para o autossustento, a autonomia e a realização de projectos pessoais e sociais viáveis e eficazes, demonstram que ainda há um longo caminho a percorrer para a concretização do nível de desenvolvimento que precisamos e almejamos. Diria, da realização do «programa constitucional» social. Esse nível não é alcançável com investimentos apenas nos domínios económicos, normativos e/ou reguladores do Estado, mas também com investimentos nas pessoas e em profissionais capazes de realizar intervenções de fundo e integradas. Como exemplo, a problemática da violência e criminalidade não será resolvida apenas com a intervenção policial, mas com o reforço da intervenção social, que precisa ser estratégica, profunda, articulada e eficaz, junto das comunidades, das famílias, das pessoas.


Não tenho dúvidas de que as soluções, existindo, são perspectivadas junto das pessoas, numa relação de proximidade e interactividade, pelo que é preciso romper com as abordagens “de cima para baixo”, com as planificações meramente laboratoriais e geralmente distantes das realidades sociais dos chamados “públicos-alvo”. 


 Nesse âmbito, os assistentes sociais desempenham ou podem desempenhar um papel preponderante, em articulação com outras áreas afins (psicólogos, sociólogos, antropólogos, etc.), sendo certo que a interdisciplinaridade é fundamental no desenvolvimento de ações desta natureza que se pretende que sejam bem-sucedidas, com efeitos duradouros e sustentáveis.


Para isso é necessário ultrapassar a visão tradicionalista que associa a assistência social ao denominado “assistencialismo” e que a restringe à prática de favores sociais. É necessário que se centre na identificação de competências e no reforço das capacidades, na capacitação das pessoas, das famílias, de grupos e comunidades, o que só pode ser concretizado com o desenvolvimento científico dessa área, com a unificação dos profissionais da área e a definição conjunta dos domínios de actuação (que são diversos), das metodologias e das estratégias de intervenção próprias, promovendo assim o reconhecimento dos seus contributos no bem-estar e no progresso do país que, por conseguinte, deve considerar instituições como a Associação dos profissionais desta área uma parceira na definição das políticas sociais do país.

Exmos./as.
Perante a crescente tendência internacional, que vai sendo integrada também a nível nacional, de um certo recuo na aposta e/ou nos investimentos nas ciências humanas e sociais, nas «humanidades», a favor das chamadas ciências exactas [e no caso em apreço, o serviço social, não teria qualquer cabimento a utilitarista e totalmente infudamentada asserção de que «não é útil qualquer tipo de educação que não nos ensine uma profissão mundana, uma arte mecânica ou um segredo da física», ou segundo a qual a vida não é suficientemente longa para que a passemos em tolices interessantes, curiosas ou brilhantes», nem seuquer o contraponto compreensivelmente hiperbólico de Baudelaire, nos fragmentos de O meu coração a nu, «ser um homem útil sempre me pareceu uma coisa triste» ],é primordial que se promova a reflexão sobre a melhor estratégia para ultrapassar essa situação e para a reconfiguração do trabalho e do trabalhador social que permita a sua devida valorização ou reconhecimento, tendo em consideração os valiosos e indispensáveis contributos das ciências sociais e, particularmente da área científica do Serviço Social, no desenvolvimento do país e, sobretudo, para o potencial que contêm para o progresso em domínios como os da justiça, da educação, da saúde, do combate à pobreza e à exclusão social, da democracia social (de uma democracia que não seja apenas «mercantil», da descentralização.


É fundamental que se reflicta também sobre a formação disponibilizada ao nível do ensino superior nessa área, com vista sobretudo à inserção e ao desempenho de sucesso dos profissionais da área, pois, existem indícios de que a problemática do desemprego tem afectado uma parte significativa desses profissionais, o que se traduz num desperdício de competências de que a nossa sociedade efectivamente necessita. Verifica-se que, a este respeito, ainda subsiste um certo desconhecimento sobre a diversidade dos campos de atuação dessa área científica que é preciso combater. 
A investigação e a produção científica constituem, igualmente, uma necessidade e um grande desafio para o desenvolvimento dessa área e a sua valorização.


Tal como qualquer outra área científica-profissional que pretende ser devidamente respeitada e valorizada, os assistentes sociais devem assumir o protagonismo desse processo, primeiramente reconhecendo o valor da união ou do associativismo dos profissionais dessa área, o que os poderá ajudar a dar passos indispensáveis nesse processo, mas também sendo criativos e proactivos em relação às demandas que emergem constantemente.
Trata-se de um combate que exige perseverança, coesão, determinação, pedagogia. E talvez - perdoem-me se estiver a ser injusto - isso não se tenha ainda verificado entre nós na dimensão e na medida exigidas.

Desejo os maiores sucessos à Associação dos Assistentes Sociais de Cabo Verde e a todos os profissionais dessa área, fazendo votos que este encontro seja um marco importante no desenvolvimento do Serviço Social em Cabo Verde, a favor dos cabo-verdianos, do país e da sua democracia. Reitero a minha colaboração, no âmbito das competências que me assistem, para que esta área tenha o reconhecimento e as condições necessárias para dar a devida contribuição para o progresso da nossa nação.

 

::: Veja as imagens (clique para ampliar):::

Welcome 200GBP Bonus at Bet365 here.