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Presidente da República preside a IIª Assembleia Geral da Rede Laço Branco no dia em que se comemora o dia do Pai

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O Chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, presidiu a IIª Assembleia Geral da Rede Laço Branco no dia em que se comemora o dia do Pai.

Leia a seguir o Discurso proferido por Sua Excelência o Senhor Presidente da República de Cabo Verde, Dr. Jorge Carlos de Almeida Fonseca, na abertura da IIª Assembleia Geral da Rede Laço Branco no dia em que se comemora o dia do Pai


19 de Março de 2017 – Palácio da República

Dou-vos a todos as boas-vindas ao Palácio da República nesta linda manhã de Domingo. Estou feliz por vos receber aqui neste dia em que se comemora o Dia do Pai, figura de suma importância na estruturação da personalidade, do carácter e do percurso de qualquer pessoa, quer pela presença, quer (lamentavelmente) pela ausência.

O papel do pai no seio da família e, muito particularmente, a relação que estabelece com o filho é um elemento central para a estabilidade da família e, por extensão, da sociedade e para o desenvolvimento equilibrado dos filhos.
A sua importância é inestimável, não apenas pelo facto de ser uma pedra fundamental, enquanto um dos provedores da família, mas também porque a figura paterna é um dos esteios da conformação da personalidade dos filhos.
Juntamente com a mãe, ele é uma das figuras determinantes na evolução da criança, pois, é através deles que esta começa a ver, a relacionar-se com o mundo, com as pessoas.
O pai participa desse processo de socialização e da construção da afectidade. A figura paterna acaba consubstanciando aspectos muito importantes absorvidos pela criança e pelo adolescente e que poderão perdurar por toda a vida.

Sabemos que nem sempre a assunção cabal desse papel é tarefa fácil. Ser pai, no nosso meio, muitas vezes implica sacrifícios imensos, nomeadamente a necessidade de deixar os filhos, a mulher, o país, para na terra longe angariar o necessário para o sustento da família.
É por isso que, no dia de hoje, saúdo de forma muito calorosa os homens da nossa terra que aqui e no exterior contribuem de forma muitas vezes abnegada, de riba de água de mar, nos nossos campos, nas roças, na faina da pesca, nas empresas no país e lá fora e nas mais diversas áreas, para proporcionar uma vida digna aos seus filhos e um futuro risonho às respetivas famílias

Minhas senhoras e meus senhores,

Não temos dúvidas de que, por razões diversas, nem sempre o papel de pai é assumido na plenitude. Com frequência deparamo-nos com crianças que não puderam, ou não podem contar com a imprescindível presença paterna ou que lidam com situações em que a relação que o pai estabelece com outros membros da família não é saudável.

De facto, o cenário nacional no que se refere à presença paterna na vida dos filhos é preocupante. Verifica-se uma elevada proporção (mais de 50%) de crianças e adolescentes que vivem sem a figura paterna, sob os cuidados apenas da mãe, de familiares ou de outros, em muitos casos sem sequer o reconhecimento legal (registo paterno), entre outros cujo pai é pouco participativo, delegando as responsabilidades parentais à mãe ou a terceiros e tendo uma participação mínima ou limitada na vida dos filhos.

Mas convém referir que há indícios animadores de um papel cada vez mais activo dos homens na vida dos filhos, nomeadamente na assunção da paternidade, na participação no período de gestação, nos cuidados e nas responsabilidades paternais, o que está relacionado com uma mudança na concepção do que é ser homem e do seu papel de modo geral.
A sociedade cabo-verdiana é considerada uma sociedade machista em que o homem assume um papel tradicional ou culturalmente de supremacia sobre a mulher, num quadro mais ou menos estabelecido de comportamentos ou acções que tendem a perpetuar essa realidade. Essa é uma realidade que afecta tanto homens como mulheres e que se reproduz num sistema cultural, afectando a posição do homem e a sua relação com a mulher e com o outro de modo geral, imiscuindo, desta forma, com o seu papel paterno.

O homem cabo-verdiano é, pois, moldado por esse sistema. Aprende-se a ser homem com os homens e mulheres moldados por esse sistema. E é, de facto, uma construção sociocultural, um processo de aprendizagem e, como tal, pode ser alterado ou reconfigurado, nomeadamente através da educação e de outras medidas de política.

Minhas senhoras e meus senhores,

Gostaria de dar os parabéns à Associação Laço Branco, pelo meritório trabalho que tem desenvolvido, pela importante parceria que desenvolveu com a Presidência da República no quadro da Campanha HeforShe e por ter, de forma muito apropriada, escolhido o dia de hoje para realizar a sua Assembleia electiva.

Promover princípios e conceitos que permitam ao homem, cada vez mais, ocupar uma posição no nosso país e no mundo mais consentânea com os valores da igualdade, da solidariedade, da assunção plena da cidadania é muito importante. Mas quando a esses valores se adiciona a prática democrática, consubstanciada na realização de eleições, essa importância atinge proporções quase inestimáveis.

Uma vez que a missão da Associação Laço Branco – a reconfiguração da concepção do homem e das relações de género, com vista a construção de uma sociedade mais pacífica e solidária – é assumida de forma tão completa e vigorosa, enquanto homem, pai e chefe de Estado deste país que se pretende que tenha um desenvolvimento integral, inclusive ao nível sociocultural, eu não posso deixar de felicitar e apoiar tão nobres objetivos.

Os dados ao nível nacional mostram-nos que o homem cabo-verdiano é mais propenso a comportamentos desviantes e violentos, sendo mais afectado, por exemplo, pela violência juvenil e, consequentemente, pelos ferimentos e pelas mortes daí decorrentes, pela prática de acções ilegais ou criminosas, constituindo a grande maioria da população reclusa do país, e pelo uso abusivo de bebidas alcoólicas e outras drogas. Também é mais afectado pelo analfabetismo e pelo abandono escolar. Tais indicadores justificam a necessidade premente de acções de combate às causas dessa realidade que tem efeitos tão nefastos na sua vida e na de toda a sociedade.

Entendo que as políticas, os programas e as acções devem estar direcionados nesse sentido, para que, conforme defendemos numa mensagem que realizamos em conjunto com o Laço Branco nas comemorações do Dia Internacional do Homem, a 19 de Novembro do ano transacto, «as instituições e/ou organismos estatais e da sociedade civil assumam a plenitude do conceito de género e envolvam plenamente os homens nos programas e ações de educação e consciencialização sobre os papéis e as relações de género».

É um processo que, para além das instituições, deve envolver as famílias e as comunidades na construção de masculinidades e relações de género positivas, desde cedo (infância) e com uma abrangência nacional, o que creio ser um dos grandes desafios desta Associação: abordar e mobilizar os homens de todos os cantos de Cabo Verde e fazê-lo de modo sistemático para obter resultados efectivos e duradouros. Também, envolver as mulheres nesse processo de reflexão e de definição da identidade e do papel dos homens, dos géneros, agregando valores e promovendo desta forma as necessárias alterações e/ou adequações.
Por conseguinte, faço votos de que os trabalhos desta Assembleia da Associação Laço Branco de Cabo Verde decorram da melhor forma e que impulsionem a intervenção desta Associação.

Para terminar, eu gostaria de deixar uma mensagem ou um apelo aos homens cabo-verdianos: que a paternidade seja uma escolha responsável e um compromisso intransferível. Ser pai é, sobretudo, estar presente e ser actuante na vida do filho, o que tem efeitos recíprocos, tanto no pai como no filho. A relação com o meu pai afectou indubitavelmente a minha personalidade e o meu percurso de vida, assim como creio que a relação que tenho com as minhas três filhas afecta positivamente a minha vida e a delas também. É um papel do qual eu não posso me demitir ou omitir e que terá efeitos nas próximas gerações. É uma responsabilidade que cada um de nós deve assumir plenamente e é, acima de tudo, um enorme privilégio. Sejamos, pois, pais responsáveis e comprometidos com os nossos filhos, com uma próxima geração menos violenta, mais feliz, capaz, solidária e realizada.

Bem-haja a Associação Laço Branco de Cabo Verde, aos meninos e homens Laço Branco, também as meninas e mulheres Laço Branco, a todas as instituições que apoiam e contribuem para que os homens dêem cada vez mais e melhores contributos para a nossa sociedade.

Não posso deixar de salientar que existem inúmeros exemplos positivos na nossa sociedade, de pais responsáveis e comprometidos, que devem ser realçados e promovidos. Que o Dia do Pai e do Homem seja devidamente celebrado.

Feliz Dia do Pai a todos!

 

::: Veja as imagens (clique para ampliar):::

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