Discurso de Sua Excelência Presidente da república, Dr. José Maria Neves, por ocasião da

Queria, antes de mais cumprimentar

a Senhora Diretora do Centro Miraflores,

Sr. Presidente da ADAD,

Sr. Diretor Pedagógico do Centro Miraflores,

Doutora Madalena Neves, autora do livro Uma Aventura no Parque Natural de Monte Gordo.

Queria também cumprimentar o pintor Tutú Sousa, que trabalhou convosco na identificação das cores, na mistura das tintas e no desenho das diferentes espécies que se encontram no Parque Natural do Monte Gordo. E cumprimentar a todas e a todos aqui presentes.

Na verdade, hoje é o Dia Mundial do Ambiente, um momento importante de celebração, de lembrança, mas também um momento em que devemos pensar um pouco no ambiente, devemos pensar, como nos disse o Papa Francisco, na nossa casa comum.

Há toda esta criação: para além dos homens, dos animais, das plantas, temos toda esta biodiversidade, e é preciso cuidar de toda esta criação. Mas acontece que há muita destruição, tanto na terra como no mar. Então, logo no início do seu pontificado, o Papa Francisco convidou-nos a refletir sobre a nossa casa comum: como é que nós podemos proteger esta nossa casa comum, como é que nós podemos cuidar desta nossa casa comum, como é que nós podemos permitir que os nossos filhos, os nossos netos recebam de herança esse nosso património comum.

Então, o Dia Internacional do Ambiente é um dia importante para pensarmos sobre essas questões.

E nós, aqui em Cabo Verde, somos mais mar do que terra: praticamente 99,9% do nosso território é mar. Temos 4.033 km² de terra e perto de 800.000 km² de mar. Então, nós temos de pensar no que fazer para garantir uma gestão sustentável dos nossos recursos marinhos.

Praticamente, o futuro de Cabo Verde será azul; o futuro de Cabo Verde estará ligado ao mar. Então, o que é que nós temos de fazer para proteger toda esta biodiversidade marinha, todos os recursos marinhos disponíveis, e como é que nós podemos fazer para, com uma gestão sustentável dos nossos mares, deixarmos de herança às gerações futuras um oceano provido de recursos suficientes para garantirmos um futuro melhor para a nossa terra.

Hoje é importante pensarmos nisso, e organizar este evento, o Dia Mundial do Ambiente, no quadro da Conferência da Década do Oceano, é extremamente importante porque nos permite pensar no oceano, pensar nos nossos mares, pensar nos recursos que nós podemos tirar dos nossos mares e pensar que mar é que nós estaremos a deixar aos nossos filhos.

Bom, com o mar nós podemos produzir água. Na Ilha do Sal, praticamente 100% da água que consumimos vem da dessalinização; na Ilha da Boa Vista, na Ilha de São Vicente, na Ilha do Maio, aqui na Praia já estamos quase a 80% de toda a água que consumimos. A produção da água para o consumo, para a agricultura, para a pecuária, para a indústria, para o turismo, no futuro em Cabo Verde virá, com certeza, do mar.

Então, aqui podemos ver a importância do mar. Mas a pesca, o peixe que nós podemos tirar do mar… e, para além do peixe, toda a indústria alimentar que nós podemos desenvolver a partir do mar, a indústria farmacêutica que nós podemos desenvolver a partir do mar, os transportes — nós, aqui, para ligar as nossas ilhas, temos de desenvolver os transportes marinhos — mas também o turismo e os desportos náuticos e aquáticos. Ou seja, temos muitas riquezas que nós podemos tirar deste nosso mar.

Na segunda-feira, no dia 8, é o Dia Internacional do Oceano, neste mês de junho em que estaremos a refletir sobre um conjunto de questões que se referem ao ambiente, ao oceano, às formas que nós teremos de desenvolver para proteger o ambiente e podermos garantir que as gerações futuras também tenham um mundo que seja habitável. E, portanto, temos de fazer tudo para não destruir este mundo. E, por isso, queria felicitar a autora Madalena Neves por esta iniciativa de ir ao Monte Gordo, ver o que existe e levar, através da criação da arte e do texto, todos nós a refletirmos sobre estas questões.

Queria também felicitar o Centro Educativo Miraflores por ter aderido a esta ideia e também a Associação ADAD, que é uma associação que tem trabalhado muito na defesa e na proteção ambiental.

Mas quero dizer-vos que é aqui na escola que devemos desenvolver toda a sensibilidade ambiental. Quando nós andamos pelas ruas, andamos pelas cidades, tomamos consciência de que devemos tratar de forma diferente o lixo. A melhoria da nossa qualidade de vida tem a ver com a forma como tratamos o lixo, a forma como limpamos as nossas cidades. Portanto, é na escola que vamos fazer com que as nossas crianças tenham sensibilidade em relação a essa questão do lixo, em relação à questão da gestão da água, à produção e gestão da água no nosso país, à forma como nós tratamos o lixo marinho.

Há dias eu fui à ilha de Santa Luzia: temos toneladas e mais toneladas de plástico. Em Santa Luzia é mais visível, mas temos esse problema em todas as ilhas de Cabo Verde, e temos de criar uma outra sensibilidade em relação ao plástico, uma outra sensibilidade em relação ao lixo marinho. E tudo isso… onde é que nós vamos criar essa sensibilidade, onde é que nós vamos criar uma cultura de proteção ambiental? É nas escolas! Então, eu queria felicitar a escola, o Centro Miraflores, por esta iniciativa conjunta de colaboração, de comunhão com a autora e com a Associação ADAD para, desde logo, sinalizarmos o Dia Mundial do Ambiente, mas também para discutirmos, para falarmos, para conversarmos sobre o ambiente.

Então, parabéns, Feliz Dia do Ambiente, e espero que continuemos nesta linha a trabalhar; agora é Monte Gordo, depois é Monte Txota, depois é Serra Malagueta, depois são outros parques naturais, outros parques marinhos. Temos a importante reserva marinha de Santa Luzia, Ilhéus Branco e Raso, temos os Ilhéus do Rombo, temos imensas riquezas no nosso país. Eu acho que as nossas escolas precisam começar a fazer essa operação descoberta, e iniciativas desta natureza abrem caminho para isso.

Muito obrigado.