Mensagem do Presidente da República pela passagem de mais um Dia da Criança Africana…

Mensagem do Presidente da República pela passagem de mais um Dia da Criança Africana…
   

 

Mensagem do Presidente da República pela passagem de mais um Dia da Criança Africana

O Dia das Crianças Africanas, assinalado a dezasseis de Junho, culmina um conjunto de efemérides dedicadas às crianças durante este mês. Este inicia-se inicia com a comemoração do Dia Internacional das Crianças, que, para além das reflexões, geralmente é marcada por actividades infantis, o que, lamentavelmente, a pandemia da Covid-19 impossibilitou este ano.
Em situação de confinamento social e de restrições impostas por essa pandemia, as crianças e os adolescentes estão a enfrentar uma extraordinária situação de chamado distanciamento social com forte impacto no seu bem-estar e no seu desenvolvimento. Foram obrigados a interromper os estudos e outros projectos educativos, desportivos, artísticos e de várias outras índoles. Estão com um acesso limitado e deficiente ao ensino escolar, com recurso às metodologias de ensino à distância, com as quais nem os professores, nem os alunos, nem os pais e encarregados de educação estão devidamente habilitados e habituados e a que milhares de crianças sequer têm acesso. Estão restringidos às suas habitações, em muitos casos com condições precárias, e apenas às relações com as pessoas com quem coabitam, não podendo desfrutar das habituais relações com outros familiares, amigos e colegas. Estão ainda mais expostas, em alguns casos, a ambientes domésticos nefastos e com menor acesso aos serviços de protecção.

Assim, é imperativo que o Estado, as famílias e todos os agentes de promoção dos direitos e do bem-estar das crianças estejam atentos e procurem, por todos os meios possíveis, apoiar e proteger as crianças durante este período. Todos terão de multiplicar os esforços e ser ainda mais criativos no desenvolvimento de novos mecanismos de protecção e promoção dos direitos e bem-estar das crianças neste período conturbado que se está a enfrentar, sendo certo que elas devem continuar a ser a prioridade em todas as esferas de acção política.

Quatro de Junho assinalamos o Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão e o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Menores, problemática que constitui uma das mais graves agressões às crianças pela perversão desses actos e seus incomensuráveis efeitos físicos e psíquicos sobre elas. Para um efectivo combate a esse problema, é imprescindível que, aos esforços das instituições estatais e das diversas organizações da sociedade civil, como a Rede Nacional de Prevenção e Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Menores, o sistema integrado de informação e gestão desses casos e as iniciativas para uma melhor adequação da legislação à gravidade, diversidade e complexidade dos crimes sexuais contra crianças, corresponda também um sistema de justiça mais célere e protector das vítimas, com acompanhamento e tratamento apropriado para os agressores.

Doze de Junho, dedicado ao alerta contra o trabalho infantil, realidade que, ainda que em dimensão residual, prevalece entre nós, no sector doméstico e em ambientes e condições inapropriados, com efeitos nefastos no desenvolvimento e na sua trajectória de vida das crianças. No continente africano, a situação é ainda mais alarmante, com milhões de crianças totalmente despojadas da sua condição infantil, excluídas do sistema de ensino escolar e inseridas em actividades laborais extremamente precárias e perigosas, em idades muito precoces. Situação que tende a piorar a crise sanitária e socioeconómica causada pela pandemia da Covid-19, cujos impactos serão massivos sobre a população mais vulnerável.

Apesar de haver uma cada vez maior sensibilidade e preocupação dos governos africanos com os direitos e bem estar da criança, vindo muito dos países a adoptar legislação e medidas de proteção da criança, incluindo uma maior afectação de recursos em áreas sensíveis como a saúde materno-infantil, programas de vacinação e no acesso à educação, infelizmente, permanecem inúmeras violações dos direitos das crianças no continente africano e adivinham-se dificuldades acrescidas na concretização das condições de vida que a criança africana necessita e merece.

O dia da criança africana tem na sua base a reivindicação do direito à educação das crianças negras na África do Sul, em 1976, e hoje continua a ser a educação a maior garantia de melhoria de vida da criança africana, mais, a educação é a chave do desenvolvimento sustentável e harmonioso do nosso continente.

Neste período em que vivemos todos nós, onde tivemos de encerrar as escolas para conter a pandemia, é preciso preparar e programar com inteligência a reabertura das mesmas no próximo ano lectivo, de forma a que todas as nossa crianças possam voltar a frequentar esse espaço de aprendizagem e do conhecimento.

As regras de «distanciamento social», de etiqueta respiratória e de higiene sanitária, vão exigir que se procedam a fortes mudanças no espaço escolar, na composição da salas de aula, no transporte escolar, nos pátios de recreio. Somos abrigados a criar as condições para que as crianças e jovens possam voltar a estar juntos, a conversar, reflectir , estudar e aprender em conjunto, porque a vida em sociedade é assim mesma: uma colectividade.
Não podemos poupar esforços nem recursos nesta matéria e, por isso, faço um forte apelo ao Governo para que considere o retorno as aulas como uma prioridade e afecte os recursos necessários para que isso seja feito em segurança e em igualdade de circunstâncias em todas as escolas do país. Que todas tenham água e outros materiais indispensáveis para a higienização sanitária.

A situação em que pandemia nos atirou, obrigando a que, de um momento para o outro, o ensino tivesse que ser ministrado à distância, veio mostrar a grande importância dos manuais no sistema de ensino. Também nesta matéria penso que não podemos a adiar a produção de manuais para todas as disciplinas até ao 12ºano.

Só podemos dizer que estamos a garantir o direito à educação constitucionalmente consagrado, quando o ensino que ministramos nas escolas tem a qualidade mínima exigível nos tempos que correm e seja acessível a todas as crianças, particularmente raparigas, crianças com deficiências, e crianças vulneráveis e marginalizadas. Só um ensino de qualidade que capacite a criança e o jovem africano sobre a sua identidade e história que fortaleça o seu orgulho pela pertença a um continente que é olhado e cobiçado por muitos, que os prepare com as ferramentas necessárias para competir em igualdade de conhecimento com jovens de outras partes do mundo, é capaz de mudar os preconceitos raciais, proteger o ambiente, reprimir as guerras fratricidas e criar as bases para a África que queremos: orgulhosa de si e parceira e interlocutora, em igualdade de circunstâncias, do resto do mundo.
Como tenho dito : A educação é o motor do desenvolvimento e instrumento privilegiado de afirmação da cidadania democrática e das liberdades.
Feliz dia da criança africana!

 

 

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