“É justo reconhecer o papel da resistência cultural e política gerada nas celas e isolamentos do Tarrafal e a sua relevância na vanguarda da emancipação das, à época, colónias portuguesas em África e da derrocada do fascismo em Portugal”

O Presidente da República, José Maria Neves, defendeu hoje, no Tarrafal, a importância histórica, política e simbólica do antigo Campo de Concentração como elemento central da candidatura a Património Mundial da UNESCO, sublinhando o seu valor universal como lugar de memória, resistência e afirmação da dignidade humana.

Na abertura do Simpósio Internacional “Museu da Resistência do Campo de Concentração do Tarrafal: Salvaguardar a Memória, Inspirar a Humanidade”, o Chefe de Estado destacou que o Tarrafal ultrapassa a condição de espaço histórico nacional, assumindo-se como um património partilhado da dor e da superação, com significado para África e para o mundo.

No seu discurso, José Maria Neves enfatizou que a preservação do antigo campo constitui um imperativo ético e civilizacional, alinhado com os esforços internacionais de valorização de sítios associados a conflitos e traumas históricos, referindo que estes espaços são verdadeiros “laboratórios de paz”.

O Presidente sublinhou ainda que a candidatura do Tarrafal à UNESCO não visa apenas o reconhecimento formal, mas também corrigir uma lacuna histórica e reforçar a presença da memória coletiva africana na narrativa global, afirmando que África tem o direito e o dever de inscrever os seus lugares de dor, libertação e reconciliação.

Ao evocar o papel dos presos políticos e dos movimentos de libertação, o Chefe de Estado destacou a relevância do campo na luta contra o colonialismo e o fascismo, posicionando-o como um dos símbolos maiores da resistência e da conquista da liberdade.

A intervenção terminou com um apelo à valorização do Tarrafal como referência para o futuro, exortando a encará-lo “não como um fóssil do passado, mas como uma sentinela do futuro”, capaz de inspirar as gerações presentes e futuras na construção de uma paz duradoura.

Confira o discurso, na íntegra, em vídeo e na versão escrita, no link, a seguir: