Discurso de Sua Excelência Presidente da República Interina, Janira Hoppfer Almada na Abertura do II Fórum de Investimento da África Lusófona

Excelentíssimos Senhores Membros dos Governos,

Senhor Vice-Presidente da Corporação Financeira Internacional para África,

Senhor Diretor Executivo do Grupo Banco Mundial,

Senhores Representantes das Instituições Financeiras e dos Parceiros de Desenvolvimento,

Senhoras e Senhores Empresários e Investidores,

Distintos Convidados,

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Sejam muito bem-vindos a Cabo Verde e, em especial, à maravilhosa ilha do Sal.

Nesta ocasião, e numa ilha cuja trajetória testemunha a força transformadora da abertura ao mundo, recebemos-vos de braços abertos, e com a morabeza que tem caracterizado o Povo cabo-verdiano, devendo ser convocada, nessa experiência, uma ambição que partilhamos: fazer do investimento um instrumento de transformação das nossas economias e de prosperidade para os nossos povos.

Por isso, saúdo a Corporação Financeira Internacional, o Grupo Banco Mundial e os parceiros desta iniciativa. E, às delegações, aos empresários e aos investidores, agradeço a presença e a disposição para construir parcerias à altura das nossas ambições de desenvolvimento, como Povo e enquanto Nação.

Exmas Senhoras e Exmos Senhores,

Reúne-nos, aqui, um desafio decisivo: converter o potencial dos nossos países em capacidade produtiva, autonomia económica e prosperidade partilhada.

A resposta exige instituições que inspirem confiança, políticas que deem rumo ao investimento e capacidade de execução, que transforme compromissos assumidos em realizações efectivas e verificáveis.

O valor de um investimento revela-se na capacidade que deixa instalada: no conhecimento que se incorpora na economia, na competitividade que passa a caracterizar as empresas, ena melhoria de condições de vida para as pessoas, que conseguem construir o seu futuro.

Resulta evidente que a conjuntura internacional confere particular urgência a este encontro. A fragmentação geopolítica, as tensões comerciais, a volatilidade energética e as perturbações climáticas condicionam os fluxos de capital e agravam a incerteza. Nas economias pequenas e abertas, os seus efeitos repercutem-se rapidamente nos custos de produção, nas finanças públicas e no rendimento das famílias.

Portanto, diversificar as parcerias e reforçar a resiliência das economias constitui, neste contexto, muito mais do que uma opção – é, antes de tudo, uma exigência estratégica.

Neste sentido, é inequívoco que a África Lusófona dispõe de complementaridades que importa converter em relações económicas mais robustas. A diversidade de recursos, a pluralidade dos mercados e a posição geográfica dos nossos países abrem perspetivas amplas de cooperação, seja na produção, seja na logística, seja na energia, ou ainda nos serviços.

Por outro lado, é mister assumir que a língua comum e os vínculos históricos constituem uma base de confiança que importa traduzir em parcerias produtivas. Informação acessível, maior articulação institucional e projetos conjuntos podem dar substância económica a essa proximidade, contribuindo para a integração africana e para uma participação mais competitiva dos nossos países nos mercados internacionais.

Caros Convidados e Participantes,

Os três eixos deste Fórum — corredores, agronegócio e turismo sustentável — convergem numa prioridade: ampliar a criação de valor nas nossas economias.

Os corredores económicos devem integrar territórios, aproximar centros de produção e consumo, e favorecer a transformação local dos recursos. O seu alcance mede-se pela atividade que geram, pela competitividade que conferem às empresas, e pelas oportunidades que abrem às comunidades.

Essa ambição exige transportes eficientes, energia fiável e infraestruturas digitais, acompanhados de procedimentos que facilitem o comércio e reduzam os custos das transações. Nos países insulares, como Cabo Verde, a ligação entre as ilhas constitui uma dimensão essencial desse esforço de integração.

É nesta articulação entre produção, logística e mercados que o agronegócio pode ganhar escala e valor. O investimento na gestão da água, na transformação, no armazenamento e nas cadeias de frio deve reforçar a produtividade e permitir aos produtores uma participação mais remuneradora nas cadeias de abastecimento.

A ligação ao turismo oferece uma oportunidade concreta. A procura hoteleira pode dinamizar a agricultura, as pescas e os serviços locais, desde que se assegurem qualidade, regularidade de fornecimento e relações comerciais previsíveis.

Em Cabo Verde, essa oportunidade ganha expressão quando a produção de uma ilha abastece os hotéis de outra. Em qualquer dos nossos países, o princípio é o mesmo: aprofundar os vínculos entre o investimento e a economia que o acolhe, fazendo chegar uma parcela maior do valor gerado às empresas e às famílias.

A diversidade turística da África Lusófona constitui um ativo estratégico cuja valorização exige visão de longo prazo. O património cultural, a biodiversidade e a hospitalidade das nossas comunidades conferem singularidade aos destinos e podem sustentar uma oferta de maior valor acrescentado, enraizada nos territórios.

Para concretizar esse potencial, o investimento deve articular a qualificação profissional e a participação de fornecedores locais com a preservação dos recursos naturais e culturais que sustentam a atratividade turística. A gestão da água, a proteção dos ecossistemas e a qualidade dos serviços públicos integram essa exigência, tal como a justa valorização da criação artística e do património das comunidades.

Dessa articulação depende a prosperidade duradoura dos destinos: a capacidade de conciliar a rentabilidade dos empreendimentos com a integridade dos territórios e o progresso das populações.

Minhas Senhoras e Meus Senhores

A concretização destas oportunidades exige projetos bem preparados e financiamento adequado às circunstâncias dos nossos mercados.

Importa investir em estudos de viabilidade económica, na avaliação ambiental e social, e na capacidade de execução.

Às instituições financeiras de desenvolvimento cabe um papel decisivo na conjugação de assistência técnica, capital de longo prazo e mecanismos de partilha de riscos.

A mobilização de recursos públicos para atrair investimento privado deve obedecer a objetivos de desenvolvimento claros, transparência e prudência orçamental. Nas parcerias público-privadas, a definição rigorosa das responsabilidades e dos encargos protege a confiança do investidor e salvaguarda o interesse público.

A diversidade dos nossos países exige também instrumentos financeiros diferenciados. Nos pequenos Estados insulares, o rendimento médio não traduz, plenamente, a exposição a choques externos, nem os custos da insularidade.

Dar consequência ao Índice de Vulnerabilidade Multidimensional, e ao Compromisso de Sevilha, adotado em 2025, para reforçar o financiamento do desenvolvimento e promover uma arquitetura financeira internacional mais justa, significa adequar o acesso aos recursos, às vulnerabilidades dos países e às suas necessidades de investimento em resiliência.

Igualmente, a energia é determinante para a transformação produtiva que ambicionamos. Da sua disponibilidade, fiabilidade e acessibilidade dependem a industrialização, a conservação dos alimentos e a competitividade das empresas. Investir em renováveis, redes e armazenamento deve, por isso, reforçar a segurança energética e criar condições para que a atividade económica se expanda, incluindo nas comunidades mais afastadas.

Aproveitar essas condições exige mobilizar o talento e a iniciativa das nossas sociedades. Alargar o acesso das mulheres e dos jovens à qualificação, ao financiamento e aos mercados permite fortalecer a base empresarial e conferir maior alcance social à transformação económica.

Esse esforço pode beneficiar igualmente do conhecimento, das redes profissionais e da capacidade de investimento das nossas diásporas. A sua participação, apoiada em instrumentos credíveis e construindo relações de confiança, pode aproximar empresas de novos mercados, promover a transferência de competências e ampliar as possibilidades de desenvolvimento dos nossos países.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Auguro que deste Fórum resultem projetos bem preparados, parcerias comerciais consistentes e um acompanhamento capaz de transformar contactos em realizações. Cada iniciativa deverá encontrar um próximo passo, deverá ter interlocutores definidos e deverá criar condições claras para avançar.

Na próxima edição, deveremos poder reconhecer investimentos concretizados, fornecedores integrados em novas cadeias de valor e oportunidades que chegaram às populações.

É essa continuidade que dará substância à confiança aqui construída!

Cabo Verde recebe-vos com a convicção de que a cooperação económica pode fortalecer a capacidade dos nossos países de decidir, e de construir o seu futuro.

Por tudo isso, e aos investidores, dirijo um convite a conhecerem em profundidade as nossas economias e a estabelecerem parcerias duradouras.

Às instituições financeiras e aos parceiros de desenvolvimento, deixo um sincero e confiante apelo à mobilização de instrumentos, que correspondam à escala das oportunidades, e à natureza dos desafios.

A todos proponho uma ambição comum: que o capital aqui mobilizado se traduza em capacidade produtiva que permaneça, em trabalho digno que engrandeça e em prosperidade que se alargue e seja efectivamente sentida.

Com este espírito, declaro formalmente aberto o II Fórum de Investimento da África Lusófona.

Muito obrigada.