PR visita Memorial ACTe, dedicada à escravatura em Guadalupe

A visita da Presidente da República interina, Janira Hopffer Almada, realizada na manhã desta sexta-feira ao Centro Caribenho de Expressões e de Memória do Tráfico de Escravos e da Escravatura (Memorial ACTe), em Guadalupe, constituiu um momento particularmente significativo de encontro com a história e de reflexão sobre um passado partilhado, profundamente marcado pela escravatura e pelo comércio transatlântico de seres humanos, muitos deles possivelmente, a partir de Cidade Velha, Património Mundial, em Cabo Verde.

Numa visita guiada pela diretora- geral e acompanhada pelo Presidente do Conselho de Administração e pelo responsável pela Cultura no Governo da região, Janira Hopffer Almada percorreu todo edifício inaugurado em 2015 e erguido no porto de Pointe-à-Pitre, em Guadalupe, num espaço anteriormente ocupado pela antiga fábrica de açúcar Darboussier, que, durante o período escravocrata, foi a maior da região.

A imponente estrutura, com 240 metros de comprimento e revestida por uma malha prateada, evoca simbolicamente as raízes da figueira-bengala, remetendo para a memória, a resistência e a ancestralidade.

O Memorial tem como missão transformar a memória num instrumento de consciencialização e reflexão, promovendo o combate ao racismo e à exclusão social, ao mesmo tempo que valoriza a resiliência dos povos e a construção de uma sociedade mais inclusiva.

Durante a visita, Janira Hopffer Almada teve a oportunidade de percorrer as exposições permanentes e temporárias, conhecer peças patrimoniais, apreciar obras de arte e explorar projeções multimédia e recursos interativos que retratam a história do tráfico negreiro e os laços históricos que unem os nossos territórios e povos, projetando um futuro também ligado, pela Atlântico.

Na sua intervenção, durante um evento de receção, a Presidente da República interina enalteceu as afinidades entre Cabo Verde e as Antilhas.

Na ocasião, defendeu um maior conhecimento mútuo entre sociedades marcadas pela dura realidade da escravatura e do tráfico de seres humanos.

Neste quadro, propôs uma atenção particular à aproximação entre o Memorial ACTe e a Cidade Velha, dois espaços que oferecem perspetivas complementares sobre a história atlântica.

“O Memorial ACTe permite aprofundar a compreensão do tráfico, da escravatura e das resistências nas sociedades caribenhas. A Cidade Velha permite recuar aos espaços onde se organizaram os primeiros grandes circuitos do tráfico e onde se desenvolveram as formas precoces de sociedade crioula”, precisou.

Aludindo à segunda edição do Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica da Presidência da República, agendada para 2028, em Cabo Verde, e que se pretende afirmar como uma referência internacional para as sociedades crioulas, os povos atlânticos, as diásporas, os académicos, os artistas e a juventude, a Presidente da República interina lançou um apelo aos parceiros da Guadalupe, do Caribe e a todas as comunidades crioulas do Atlântico: “Façamos da Guadalupe um dos espaços de preparação e influência deste segundo Encontro Internacional.”

A Conferênciada CrioulidadeAtlântica, recorde-se, configura-se um “momento de saber, de criação e de compromisso, que permita evidenciar o contributo incontornável das culturas crioulas para a história da humanidade”.