Permitam-me, antes de mais, expressar o meu sincero agradecimento à Agência Internacional de Gestão Desportiva, AGFM Holding, pelo convite que me foi endereçado, na pessoa da sua fundadora e presidente, a nossa compatriota Maria Tavares Malfoy.
Confesso que me senti profundamente honrado com este gesto e aceitei de imediato, com enorme prazer, a responsabilidade de presidir à 4.ª edição da Conferência Africana dos Agentes de Futebol FIFA, em que Cabo Verde e a Cidade da Praia, no caso, se afirma como palco privilegiado, o que tanto dignifica o nosso país.
Com efeito, é motivo de orgulho para Cabo Verde acolher esta Conferência continental que reúne as mais altas entidades do futebol africano, desde agentes e dirigentes a investidores e protagonistas que moldam o presente e o futuro do desporto-rei no nosso continente. É a primeira vez que o nosso país recebe um evento desta envergadura, e isso traduz-se numa oportunidade histórica para reforçar a nossa posição no panorama internacional.
A presença de ilustres personalidades como a antiga Secretária-Geral da FIFA, Fatma Samoura, primeira mulher e primeira pessoa não europeia a ocupar tal cargo, o Presidente da Associação Africana dos Agentes de Futebol da FIFA, Michael Sodeke, atletas africanos de renome e representantes da Federação Cabo-verdiana de Futebol, entre outros, confere a esta Conferência uma dimensão de excelência e credibilidade que muito nos honra.
Este encontro acontece num momento de simbolismo particular para Cabo Verde, pois vivemos um marco histórico e inédito: a nossa primeira participação num campeonato mundial de futebol. Este feito reforça a afirmação de Cabo Verde no cenário futebolístico internacional e projeta a nossa bandeira para horizontes que antes pareciam distantes. É neste contexto que a realização da Conferência assume ainda maior relevância, pois coloca o nosso país no centro das atenções e confirma que estamos preparados para ser parte ativa das grandes discussões sobre o futuro do futebol africano e global.
Quero dirigir palavras de apreço e incentivo a Maria Tavares Malfoy, promotora e organizadora deste evento, pelo seu empenho incansável em reforçar a projeção internacional de Cabo Verde. Graças ao seu trabalho, o nosso país continua “nas bocas do mundo”, sobretudo após o apuramento para o mundial. Maria Tavares Malfoy, cabo-verdiana radicada em França, é fundadora e presidente da AGFM Holding, uma agência internacional de gestão desportiva licenciada pela FIFA como Agente de Partidas.
O seu percurso orgulha Cabo Verde e constitui exemplo inspirador para a nossa Diáspora. A AGFM Holding está presente em Cabo Verde, Angola, França, Brasil, Guiné-Bissau, Portugal e Dubai, e dedica-se à estruturação de clubes e federações, ao desenvolvimento do futebol feminino, à promoção da liderança feminina no desporto, ao apoio a jovens talentos e à busca de parcerias sustentáveis. Esta visão global e inclusiva é um contributo valioso para a profissionalização do futebol africano e para a promoção da igualdade no desporto.
Tendo em conta o perfil dos participantes – dirigentes desportivos, agentes FIFA, clubes, investidores e demais atores do ecossistema do futebol africano e global – as elevadas expectativas em torno desta Conferência justificam-se plenamente. Formulamos votos para que este encontro seja portador de uma visão moderna, ética e transformadora do desporto africano, articulando futebol, juventude, economia, inclusão e desenvolvimento humano.
África precisa de criar as suas próprias soluções para o desenvolvimento do futebol, pensado em África, por africanos, mas com responsabilidade global. O talento da juventude africana é imenso e deve ser transformado em oportunidade. O desafio atual não é apenas descobrir talento, mas criar ecossistemas que protejam, desenvolvam e valorizem esse talento. Isso implica academias estruturadas, educação paralela ao futebol, proteção contratual, acompanhamento psicológico e social e combate à exploração de jovens atletas.
É fundamental valorizar a ética, o fair play e a credibilidade no futebol africano. Precisamos de uma nova cultura de integridade, assente na transparência, na boa governação, no combate à corrupção, na proteção dos menores e na responsabilidade dos agentes desportivos. Defendemos um futebol africano limpo, competitivo, respeitado, livre de doping e comprometido com os valores humanos.
O desporto é hoje um instrumento estratégico de desenvolvimento. O futebol deixou de ser apenas entretenimento: é economia, inclusão, diplomacia, educação, mobilidade social, saúde pública, indústria criativa e gerador de oportunidades. Políticas públicas inteligentes para o desporto devem apostar na formação de base, em infraestruturas adequadas, na profissionalização, na ciência do desporto, na medicina desportiva e numa gestão transparente.
A equidade de género e a igualdade de oportunidades devem ser prioridades continentais. É imperativo investir mais no futebol feminino africano, através de infraestruturas, financiamento, visibilidade, formação técnica e promoção da liderança feminina na gestão desportiva. Devemos incentivar a presença das mulheres como atletas, treinadoras, árbitras, dirigentes, agentes e gestoras desportivas.
O papel dos agentes desportivos na nova realidade africana é igualmente crucial. Reconhecemo-los como atores importantes do ecossistema do futebol moderno, cujo papel deve assentar na ética, na transparência, na proteção do atleta e na valorização humana e profissional dos jogadores. É essencial fomentar uma relação saudável entre clubes, agentes, federações, famílias e atletas.
Reafirmamos o interesse de Cabo Verde em se posicionar como plataforma africana de diálogo e inovação desportiva. O nosso país é reconhecido como espaço de estabilidade, diálogo, credibilidade institucional e visão internacional. Estamos em plena disputa de um jogo que não é de futebol: a campanha eleitoral para as eleições legislativas, que terão lugar dentro de poucos dias. O ambiente é de alegria e festa, como é habitual entre nós. Seja quem for o vencedor, quase se pode garantir que não haverá contestação dos resultados, o que demonstra a maturidade democrática de Cabo Verde e reforça a nossa imagem de estabilidade política.
Termino desejando muitos sucessos nestes quatro dias de Conferência e que este encontro seja uma plataforma para o lançamento da imagem de Cabo Verde, reforçando a posição do nosso país no mapa do futebol internacional. Que daqui saia uma mensagem clara: Cabo Verde está preparado para ser parte ativa e relevante na construção de um futebol africano moderno, ético, inclusivo e transformador.


