Minhas Senhoras e meus Senhores,
Bravos Tubarões Azuis,
Ilustres Convidados,
Caros Amigos,
Na qualidade de Presidente da República de Cabo Verde, tenho o privilégio de condecorar esta geração de ouro do futebol cabo-verdiano, os nossos Tubarões Azuis, que nos conduziram ao topo da montanha.
Este feito não é apenas desportivo, é cultural, social e político, pois traduz a força de um povo que, ao longo da sua trajetória, sempre acreditou que os sonhos, por mais audaciosos que sejam, podem tornar-se realidade.
E são estes rapazes os protagonistas deste momento ímpar do nosso percurso, enquanto Nação.
Depois deste périplo pelas ilhas, do caloroso abraço do povo cabo-verdiano, cheio de morabeza, as baterias estão recarregadas para o momento histórico que se aproxima.
Os Tubarões Azuis concretizaram o sonho de várias gerações de cabo-verdianos: pisar o maior palco do futebol mundial.
Provamos que quando estamos unidos em torno de um ideal, podemos realizá-lo, superando todos os obstáculos. Provamos que para nós nada é impossível.
A história de Cabo Verde é feita de comparações que nos ajudam a compreender o alcance deste momento. Dos primeiros cabo-verdianos, que sonharam com um país independente, à geração de Amílcar Cabral, que conquistou a independência. De Maria Barba, uma das primeiras cantadeiras da morna, a Cesária Évora, que, de pés descalços, conquistou o mundo. Da primeira seleção do Cabo Verde independente, na “Operação Bissau”, de 1978, passando pelas participações e conquista de uma Taça Amílcar Cabral e pelo apuramento histórico para o CAN, até aos momentos de glória atuais dos Tubarões Azuis. Cada etapa foi uma pedra colocada no edifício da nossa identidade e da nossa afirmação na arena internacional.
Agora, vaticinamos uma participação exitosa na estreia em mundiais, enfrentando, no jogo inaugural, um campeão do mundo. Sabemos que, ao longo da nossa história, nada foi fácil. Cada conquista exigiu luta e sacrifício. Mas recordemos que com força e resiliência conseguimos viabilizar um país quando, no mundo, poucos acreditavam. Nós sempre acreditámos. Somos, por isso mesmo, uma Nação Vencedora.
Esta seleção é a prova de que Cabo Verde não é apenas “ês dez gronzinho di terra”. Graças ao engajamento da nossa imensa diáspora e ao talento dos briosos jovens cabo-verdianos, estamos unidos, fortes e invencíveis. Os Tubarões Azuis recolhem a unanimidade do povo cabo-verdiano.
São o elo mais forte que une esta nação, os residentes e os que estão espalhados pelo mundo. Hoje, o maior cartão de visita de Cabo Verde chama-se Tubarões Azuis, com todo o potencial para projetar o país no mundo. São um exemplo de sucesso e uma fonte de inspiração para processos transformacionais em outras áreas sensíveis de desenvolvimento.
É importante realçar a evolução e os resultados que o nosso desporto tem conquistado. Hoje já somos campeões do mundo em algumas modalidades náuticas e, nos Jogos Olímpicos, já conquistámos medalhas. Agora é a hora dos Tubarões Azuis! É o culminar de uma longa caminhada.
Para a evolução do desporto e do futebol em especial, contribuíram decisivamente a descoberta de talentos na diáspora e o aturado trabalho de muitas gerações de jogadores, dirigentes, técnicos e sucessivos governantes, que merecem todo o nosso apreço, gratidão e respeito. Sem eles, este momento não seria possível.
Imaginem se criarmos outras seleções nacionais, que nem os tubarões azuis, em outras áreas que exigem consensos, fortes investimentos e um grande salto qualitativo na formação e execução de políticas, como os transportes, a saúde e a educação. Afinal, se em vez da fragmentação, do confronto e da polarização, formarmos equipas unidas, fortes e mobilizadoras de capacidades e competências nacionais, nas ilhas e na diáspora, podemos muito mais do que imaginamos.
Formulo votos para que esta seja apenas a primeira de muitas participações, pois desejamos que a nossa presença na mais alta roda do futebol mundial passe a ser uma rotina e que seja sempre coroada de êxitos. Quero garantir que o Presidente da República estará presente no jogo de estreia, representando toda a nação cabo-verdiana.
Estarei, como um fervoroso adepto dos Tubarões Azuis, no estádio, torcendo por vós. Mas, por outro lado, fora do estádio, em qualquer ponto do mundo onde estiver um cabo-verdiano, ele estará, com a emoção da primeira vez, apoiando os Tubarões Azuis. Porque esta seleção é mais do que um conjunto de jogadores: é o símbolo da nossa unidade, da nossa esperança e da nossa capacidade de vencer.
Assim, ao condecorar os Tubarões Azuis, não celebro apenas uma vitória desportiva. Celebro a resiliência de um povo, a força de uma nação e a certeza de que o futuro de Cabo Verde será sempre construído com coragem, talento e união. Que este seja o início de uma nova era para o nosso futebol e para o nosso país.
Vivam os Tubarões Azuis!
Viva Cabo Verde!
