Encontro da Crioulidade Atlântica – PR reafirma Crioulidade como projeto de Humanidade e renova apelo à oficialização da língua cabo-verdiana

Tal como referiu na abertura do certame, o Presidente da República, José Maria Neves, encerrou o I Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica reafirmando a Crioulidade como projeto de futuro e de humanidade, capaz de unir povos e culturas em torno da diversidade, da paz e da cooperação. A Declaração da Praia recomenda a criação de uma Cátedra da Crioulidade, precisamente para facilitar a cooperação cultural e científica e valorizar a crioulidade, em particular as línguas crioulas. É nesse quadro que Neves reforçou o apelo que tem feito para a oficialização da língua cabo-verdiana, renovando o seu compromisso com a busca dos consensos necessários para este passo decisivo na valorização da nossa língua materna e no cumprimento do artigo 9.º, n.º 2 da Constituição da República.

Na sua intervenção, sob improviso, o o Chefe de Estado sublinhou que o crioulo já se afirma em múltiplas esferas da vida nacional — da política às celebrações religiosas, da literatura à música — e que existem bases científicas sólidas, construídas por universidades e investigadores através de dicionários, gramáticas e estudos especializados.

Entre os exemplos mais simbólicos, destacou o projeto de tradução integral da Bíblia para o cabo-verdiano, diretamente das línguas originais, cuja conclusão está prevista para 2033, como marco cultural e científico da valorização da língua. O Chefe de Estado enfatizou que falta apenas a mobilização da sociedade para pressionar os representantes parlamentares a transformar em lei aquilo que já é prática cultural e científica.

O Presidente anunciou igualmente a criação da Cátedra da Crioulidade Atlântica, que será espaço de investigação e cooperação científica entre as nações crioulas, reforçando o papel da academia na valorização deste património comum. Sublinhou ainda que a Crioulidade é ponte de diálogo e convivência global, e que Cabo Verde, com a Cidade Velha como símbolo da memória atlântica, se afirma como referência mundial neste movimento.

Entre outras considerações, José Maria Neves revelou que a segunda edição do Encontro terá lugar em 2028, coincidindo com uma efeméride maior alusiva a África, reforçando o compromisso de Cabo Verde em projetar a Crioulidade como plataforma de esperança, cooperação e valorização da identidade crioula.

Veja o discurso, na íntegra, no vídeo ou leia-o através do link, a seguir: