SAUDAÇÃO DE SUA EXCELÊNCIA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA PROFERIDA NA GALA CABO VERDE DE SUCESSO

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(3ª Edição)

Salle Évasion Marine, Terrou-Bi, Dacar, 7 de Dezembro de 2019

EXCELÊNCIAS,
Senhor Presidente da República do Senegal, Excelência, Caro Irmão e Amigo,
Senhora de Macky Sall,
Senhor Primeiro Ministro de Cabo Verde,
Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades de Cabo Verde,
Senhor Embaixador de Cabo Verde no Senegal e Exª Esposa,
Senhores Membros do Governo de Cabo Verde,
Excelentíssimas Autoridades Oficiais Senegalesas,
Excelentíssimos Senhores Representantes de Missões Diplomáticas,
Distintos convidados,
Caros Concidadãos e amigos,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Nesta Sala magistral, neste chão acolhedor deste país irmão, o Senegal, mais concretamente na sua vibrante e cosmopolita capital Dacar, reunidos nesta grande festa que celebra Cabo Verde e a cabo-verdianidade, permitam-me começar por assinalar, profundamente sensibilizado, a honrosa presença, entre nós, de Sua Excelência o Presidente da República do Senegal, Senhor Macky Sall, um caríssimo amigo pessoal e dos cabo-verdianos.

Saúdo Vossa Excelência, bem assim todas as Altas Autoridades senegalesas, cujas presenças amigas tanto nos honram. Através de Vossa Excelência, Senhor Presidente, saúdo, igualmente, todo o Povo amigo e irmão do Senegal.

Uma especial saudação ao Senhor Primeiro-Ministro de Cabo Verde, aos membros do Governo de Cabo Verde e a todos os nossos caros concidadãos, emigrantes, descendentes, familiares e amigos de Cabo Verde que se dignaram juntar-se a nós neste dia memorável.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Caros concidadãos,

Terei lido o seguinte feliz título numa das páginas de «Lua Cheia», publicação da comunidade cabo-verdiana no Senegal – Le Cap-Vert et le Sénégal, une longue histoire d’amour -. Um título simples que traduz, efectivamente, o sentimento que une os nossos dois Povos e Países. Não é por acaso que o Senegal, nas palavras de um dos nossos poetas populares, é cantado como “porto Santo Senegal”. O cabo-verdiano, ontem como hoje, soube contar com o fraterno acolhimento do hospitaleiro povo senegalês.

Para além de um espaço de grande apoio à emigração cabo-verdiana e uma janela para a modernidade, este país amigo foi, igualmente, importante para a nossa afirmação como país independente, num contexto de grande complexidade. Hoje, filhos e netos de cabo-verdianos são senegaleses, vivem e trabalham no Senegal, onde exercem as mais diversas profissões e ofícios.

Orgulhosos das nossas respectivas culturas, através de um processo natural, vamos dando corpo a uma das bandeiras mais emblemáticas do nosso tempo que é a interculturalidade. Somos teranga e morabeza e temos, dentro de nós, nos nossos corpos, nas nossas almas, nas nossas dores, nos nossos olhos, pedaços e memórias de Gorée e de Ribeira Grande.

Fazendo o caminho inverso dos cabo-verdianos, também chegam às nossas ilhas jovens, homens e mulheres senegaleses trazendo consigo a língua, a gastronomia, a música e os costumes, em mais um reencontro com a História, tornando mais rica a nossa sociedade. Estes nossos irmãos senegaleses contribuem na edificação de um país cada vez mais democrático, desenvolvido e plural, mais rico cultural e economicamente.

Estou, por isso, convicto de que, como povos irmãos, o tratamento especial dos nossos respectivos cidadãos no território do outro deve ser o melhor caminho a seguir para significar a particularidade das nossas relações especiais.

Senhor Primeiro Ministro, Excelência,
Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades, Excelência,
Distintos convidados,
Caros concidadãos e amigos,

Cabo Verde forjou a sua identidade nacional, bem antes da conquista da independência política. Ao longo do tempo perseverámos. Pedaços de vários mundos, resistimos às fomes e ao abandono e, ao sabor do vento quente da História, começámos a surgir, tal como a erva depois das chuvas, como povo com a sua identidade cultural própria, nesse espaço marítimo de passagem, com sede de encontrar o seu próprio destino nos caminhos do mundo.

Na emigração encontrámos uma das formas para responder à escassez de recursos e os fluxos que se seguiram, ao longo da nossa história, revelaram-se determinantes em termos económicos, culturais e políticos.

Aqui chegámos como mão-de-obra, naturalmente: pedreiros, carpinteiros, empregadas domésticas, e, trinta anos depois, no final dos anos cinquenta, a nossa pequena comunidade estava já bem instalada, enraizada nos costumes deste país amigo, e entrado noutras profissões: comércio, barbearias, mecânicos, navegação, empresários, políticos, professores. médicos. Assim se passou noutros destinos deste vasto continente, berço da humanidade e do conhecimento, passando esses destinos todos a fazer parte do nosso léxico e da nossa geografia humana, assim como das nossas músicas e da nossa saudade.

Em Angola, Côte D’Ivoire, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, São Tomé e Príncipe, Moçambique, onde estivermos, somos uma rede de pessoas, que tem, no seu seio, gente altamente qualificada, gente integrada, que tem como referência um exíguo território e uma cultura em transformação que extravasa esse espaço, amplia esse território. Somos artistas de sucesso, cientistas de renome, desportistas bem-sucedidos, empresários bem estabelecidos, profissionais de reconhecido mérito nas mais diversas áreas do fazer e do saber – da política à saúde, da educação à actividade empresarial, das engenharias à academia, à banca, à Justiça, à ciência, à música, das artes plásticas ao desporto, da literatura ao exercício militar, às novas tecnologias.

Não nos podemos esquecer, todavia, que também somos os desempregados amontoados em subúrbios, os excluídos, e os nossos milhares de jovens que, com um sorriso nos lábios e uma constante inquietação, aceitam o desafio de, assumidamente, não ser eternamente futuro, mas reivindicam o direito de construí-lo no dia-a-dia.

Como Presidente de todos os cabo-verdianos, a integração das nossas comunidades nos países de acolhimento tem sido uma das minhas prioridades. Registo com satisfação o esforço do Governo no sentido de aproximar cada vez mais a diáspora da terra-mãe e continuarei a exercer a minha magistratura de influência nessa direcção, concedendo uma atenção particular a comunidades que se encontram em situação especialmente precária.

Envidarei todos os esforços para que, onde quer que estejam as nossas gentes,- no Senegal, na Itália, em Angola, em Portugal, na China, na Guiné-Equatorial ou em Timor -, se mantenham firme na sua ligação à terra-mátria, fazendo-a crescer, agigantar-se, emprestando-lhe essa enorme alma cabo-verdiana que é a nossa maior marca.

Distintos convidados,

Sinto-me, pois, deveras rejubilado, hoje. Posso dizer que sou um cidadão feliz.
Feliz porque ontem vivi um momento memorável na minha vida, como cidadão académico e Chefe de Estado. Fui distinguido com o título de Doutor Honoris Causa, pela muito prestigiada Universidade Cheick Anta Diop. Uma Casa do saber que já formou – e continua a formar – muitos jovens estudantes cabo-verdianos, entre eles o meu irmão, o poeta Mário Fonseca, que aqui viveu, estudou e ensinou durante quase vinte anos; uma honrosa distinção que muito me comoveu e que dedico ao meu Povo, no país e fora dele.

Feliz por testemunhar o prestígio dos cabo-verdianos que, empenhados na defesa e preservação dos valores mais nobres que nos caracterizam enquanto Povo, deixam marcas indeléveis por onde passam.

Refiro-me, a título meramente exemplificativo, ao artista musical cabo-verdiano, Gil Semedo que recebeu, recentemente, das mãos do Presidente da Câmara da ilha de Gorée, Senegal o título de Embaixador Peregrino da ilha de Gorée, pela sua brilhante carreira musical do autor.

Feliz coincidência, num momento em que aguardamos, com entusiasmo, a confirmação da classificação da Morna como Património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, no próximo dia 12, que espero venha coroar este sopro, que nos alimenta e que alimentamos a partir dos quatro cantos do mundo.
Feliz, sobretudo, por estar perante vós, mulheres e homens, emigrantes e descendentes, bem-sucedidos, herdeiros do espírito combativo, empreendedor e inovador dos que nos antecederam e, a duras lutas, ajudaram-nos a chegar até aqui, mostrando-nos que não existem fatalidades insuperáveis.

Disse há uns tempos que de Cabo Verde nunca se parte. Ausenta-se. Não precisamos, pois, de consolo ou protecção de deuses quando uma ilha se aparta de nosso olhar saudoso. Nem angustiados ou combalidos nem em êxtase ou encantamento. Porque somos, afinal, no mapa que sobrevoa o mundo, os ventos e os nomes, «divino cabo».

Aproveito para felicitar vivamente as personalidades aqui distinguidas pelo seu sucesso nas sociedades onde vivem e trabalham, resultado que estou certo, é fruto de muita dedicação, profissionalismo e competência. A todos vós, os meus votos de continuados sucessos e felicidades nas vossas vidas pessoais, profissionais e familiares.

Caros concidadãos,

Termino renovando a minha grande confiança na capacidade e na tenacidade com que mulheres e homens, nas queridas ilhas e na diáspora, engrandecem, no seu dia-a-dia, a nossa Pátria. O futuro dela a todos nós diz respeito e sei que Cabo Verde poderá sempre contar convosco.

Bem-haja a 3ª Edição da Gala Cabo Verde de Sucesso e todos vós que se dignaram deslocar a este espaço magistral para viver este momento ímpar de troca de afectos.

Muito obrigado.

Jorge Carlos de Almeida Fonseca