Discurso proferido por S.E. o Presidente da República, Jorge Carlos de Almeida Fonseca por ocasião da inauguração do Centro Sete Sóis Sete Luas

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Presidente da Câmara Municipal da Brava, Francisco Tavares

Presidente da Associação Cultural Sete Sois Sete Luas, Marco Abbondanza

Embaixadora União Europeia em Cabo Verde, Sofia Moreira de Sousa

Representante do Festival Sete Sois Sete Luas, Taveira Pinto

Cumprimentos a todos os presentes

É sempre com muito prazer que visito esta bela e encantadora ilha, de gentes bonitas, simples e acolhedoras. Uma ilha com a qual me identifico especialmente e que tem um enorme significado para mim, como compreenderão, sobretudo ao nível dos afectos, das vivências e das memórias. Ilha da minha infância e adolescência onde despertei para as coisas do belo, do imaginário, e me interessei pelas histórias fascinantes da nossa emigração e aventura baleeira.

Djabraba, terra da minha mãe; uma ilha cujas beleza e idiossincrasia tão bem o poeta Eugénio Tavares soube romantizar nas suas penetrantes mornas, eternizadas, sublimemente, pela voz de Sãozinha Fonseca.

Caros amigos,

Desde que assumi as funções de Presidente da República, a arte e a cultura têm assumido uma presença permanente no âmbito das minhas acções. Sempre procurei valorizar as diversas formas de expressão artística e imprimir uma dinâmica cultural que fizesse jus ao que somos enquanto nação. Aliás, tenho dito algumas vezes que é uma ilusão pensar-se que um País só se constrói com informáticos, engenheiros, financeiros, quando a cultura representa a alma identitária de uma nação, sua impressão digital, e a arte a expressão mais visível da sua beleza, dos seus encantos.

Permitam-me que agradeceça, uma vez mais, à Associação Cultural Sete Sóis Sete Luas, na pessoa do seu Presidente Sr. Marco Abbondanza, pelo convite para estar cá neste acto simbólico de inauguração de mais um Centro Cultural, num ano particularmente importante para este projecto de permuta nos planos artístico e cultural que celebra o vigésimo aniversário de sua presença em Cabo Verde.

Realmente, a Associação Cultural Sete Sóis Sete Luas tem contribuído enormemente, desde de 1998 – altura em que Cabo Verde se inscreveu no mapa dos Festivais SSSL –, para a promoção da cultura e das artes cabo-verdianas além-fronteiras.

O seu Director, o Sr. Marco Abbondanza, tem sido, efectivamente, um Embaixador incansável na assunção da tarefa de projectar, no exterior, a diversidade cultural destas ilhas crioulas e da promoção de diálogos culturais entre Cabo Verde e os países do mediterrâneo e do mundo lusófono.

O Festival Sete Sois Sete luas vem conquistando Cabo Verde e as suas gentes, enquanto um projecto cultural que assenta numa visão descentralizadora da cultura, e que proporciona às ilhas e regiões consideradas mais periféricas do nosso país o acesso gratuito à arte e à cultura.

Nos últimos anos, o projecto ganhou um novo fôlego, alargou as suas bases a outras ilhas, agregou novas componentes de promoção cultural que enformam os centros culturais agora inaugurados. Nesse sentido, permitam-me que faça um reconhecimento ao grande impulso que a delegação da União Europeia em Cabo Verde endossou a este projeto (e a muito outros importantes projectos), no âmbito da disponibilização de fundos, sujeitos ao concurso público, destinados as àreas relacionadas com a produção de bens e serviços culturais e ao desenvolvimento do turismo sustentável.

De facto, o projecto Festival Sete Sois Sete Luas tem sido para os nossos jovens talentos uma janela de oportunidade para o mundo no domínio da música e das artes plásticas. No âmbito deste projecto, os jovem artista cabo-verdianos têm aprimorado as suas técnicas, desenvolvendo os seus talentos no âmbito das experiências de formação e de intercâmbio em residência artística (no país e no estrangeiro) com grandes mestres internacionalmente reconhecidos.

A mobilidade dos artistas cabo-verdianos e de agrupamentos musicais pelos Países que constituem a Rede do Festival SSSL tem sido uma realidade; vários são os artistas, emergentes e consagrados (no domínio da música como no das artes plásticas) como Hernâni Almeida, Michel Montrond, Rosa Borges, Dani Fonseca, Tutu Sousa, Nela Barbosa, Txalé Figueira, José Maria Barreto, entre muitos outros, que, nos últimos anos usufruíram desta singular plataforma cultural. Ainda, a título de exemplo: a Brava Sete Luas Band (uma banda musical criada no âmbito do Projecto Sete Sóis Sete Luas exclusivamente composta por jovens músicos conhecidos aqui na Brava como a Rosa Borges e o Zé Duarte, presentes neste evento) regressou recentemente de uma digressão a 4 países da Europa e estão, novamente, de partida para as ilhas Reunião. É a música tradicional da Brava, de Cabo Verde, que está sendo divulgada lá fora.

A inauguração dos Centros Sete Sóis Sete Luas parece evidenciar –se como o rosto mais visível da consolidação da presença e permanência deste peculiar projecto em Cabo Verde. Aliás, a inauguração do primeiro Centro SSSL, o de Ribeira Grande de Santo Antão (em parceria com a Câmara local), construído de raiz (mediante um avultado investimento) que tive o privilégio de inaugurar em 2015 simbolizou o início e uma manifesta vontade para uma forma de “cooperação cultural” mais palpável com as Câmaras Municipais de Cabo Verde.

Esta inicitiava de permuta cultural e a sua relação com os municípios cabo-verdianos, além de ser um exemplo de uma parceria entre uma entidade pública e uma entidade privada, na promoção de um bem público (que é a cultura), é, também, prova de que o desenvolvimento do poder local passa pela busca de espaços e redes internacionais de afirmação propiciadoras da “cooperação descentralizada” com outros municípios que integram estas mesmas redes. Muitas das vezes, a referida cooperação descentralizada entre municípios estrangeiros nasce destes contactos de natureza cultural sendo que o projecto Festival SSSL é disso um exemplo.

Existem razões suficientes para reconhecer que o projecto Festival Sete Sóis Sete Luas tem sido uma plataforma verdadeiramente sustentável de promoção, de divulgação e de valorização da cultura cabo-verdiana além-fronteiras.

Por todo esse contributo que tem trazido ao nosso País, o meu sentimento não poderia deixar de ser o de satisfação por ter acolhido institucionalmente (nos últimos 7 anos) este projecto e associar-me a ele. Felicito Marco Abbondanza por este grande projeto de “cooperação cultural” pelos seus 20 anos de presença em Cabo Verde, desejando, naturalmente, que o projecto cresça, se solidifique, e que seja cada vez mais apropriado pelos cabo-verdianos.

Termino, fazendo um apelo a que os jovens artistas cabo-verdianos aproveitem as oportunidades que este projecto oferece e continuem a divulgar o que de mais sublime temos para desenvolver e mostrar: a nossa cultura.