Mensagem de S.E. o Presidente da República, Dr. Jorge Carlos de Almeida Fonseca, por ocasião da abertura do ano lectivo 2020/21

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Mensagem de S.E. o Presidente da República, Dr. Jorge Carlos de Almeida Fonseca, por ocasião da abertura do ano lectivo 2020/21
01 de Outubro de 2020
O início de cada ano lectivo é sempre um renovar de muitas esperanças e de sonhos, tanto dos pais como dos alunos. É a descoberta por parte daqueles que vão pela 1ªvez para a escola ou que mudam de ciclo e o regresso dos que à escola retornam, depois das férias grandes. E como grandes foram as férias, ou melhor, a ausência de aulas este ano. Sim, porque o vosso Presidente da República sabe que este tempo todo sem aulas, não foi um verdadeiro tempo de férias, pois tiveram de ficar em casa, afastados dos amigos e dos convívios e passeios, dos banhos de mar e das aventuras dos acampamentos. Quero, por isso, deixar-vos a minha solidariedade, mas também o meu agradecimento pelo que sacrificaram para salvaguarda da vossa própria saúde, das vossas famílias, mas também de todo o nosso país.
A simpatia e o agradecimento do Presidente da República estendem-se a toda comunidade educativa, dos milhares de professoras e de professores, e outros funcionários, administrativos e auxiliares, que constituem esta verdadeira máquina do saber, em cada uma das nossas ilhas, que se viram afastados de fazer o que gostam de fazer, ensinar e cuidar do desenvolvimento das nossas crianças e adolescentes.
Os cabo-verdianos sempre se distinguiram pela importância que as famílias dão ao ensino. A escola sempre foi a trave mestra que susteve os anseios do nosso povo, quanto ao seu futuro; a primeira preocupação foi sempre a de ‘dar escola’ aos seus filhos e filhas, e que estes estudassem e fossem mais longe que os pais e avós tinham ido. Aprender, adquirir conhecimentos, estimular a memória e a imaginação, sem esquecer a importância complementar da estrutura familiar.
Há muito a Educação, ultrapassando a sua importante vertente instrumental, se insinuou nos interstícios da alma cabo-verdiana, tornando-se algo essencial para a vida e o equilíbrio das pessoas.
E essa importância adquire maior relevância nestes tempos de contingência em que vivemos.
Como já é sabido, o retomar à escola, neste ano lectivo que ora se inicia, não será igual em todas as nossas ilhas, pelas razões da epidemia da COVID 19. As aulas presenciais não serão retomadas, na Praia, na mesma data que os outros concelhos do país. E aqui, os pais e encarregados de educação são chamados a colaborar ainda mais, seguindo as medidas, normas e informações que vão sendo disponibilizados pelas autoridades educativas e sanitárias. A família do educando, como núcleo fundamental, tem nesta fase de transição para a desejada normalidade, um papel fundamental.
Não ignoro que esta maior colaboração que é pedida às famílias tem um peso muito diferente de família para família, considerando o nível de vida de cada uma e a composição do seu agregado familiar. Porém, o desafio que temos pela frente exige que todas as famílias se comprometam de uma forma ainda mais empenhada com a educação dos seus filhos, independentemente da situação de vulnerabilidade em que se encontrem.
Naturalmente que a este esforço maior de determinação dos pais e encarregados de educação deverá corresponder, sempre que tal se justifique, um apoio maior por parte do Estado, designadamente com aqueles custos que parecem reduzidos, mas representam uma fatia importante no orçamento familiar em cada início de ano lectivo.
Igualmente, aos professores, este ano coloca responsabilidades acrescidas. Para além de terem neste novo ano escolar de lidar com a necessidade de recuperar o ensino/a aprendizagem das matérias de todo um trimestre passado de ausência de aulas presenciais, terão de estar especialmente atentos e preparados para identificar os problemas relacionados com estados de ansiedade e a situação psicossocial dos alunos. O isolamento social, as dificuldades económicas resultantes da quebra brusca de rendimento dos pais, as situações de violência e abuso, tudo consequência da pandemia do COVID-19, têm vindo a afectar gravemente muitas crianças e adolescentes. Será, agora, com o seu regresso à escola, que muitas delas terão, pela primeira vez, a oportunidade de encontrar ajuda. Os professores e todas as pessoas que trabalham nas escolas devem receber a formação mínima necessária para identificar as situações que constituem sinais de alerta, para que assim possamos melhor cuidar das nossas crianças e adolescentes.
A escola deve, como está a acontecer, fazer as adaptações exigidas a esta dura realidade situação, de modo a salvaguardar a saúde dos alunos, famílias, professores, técnicos e demais colaboradores do sistema educativo.
Num contexto em que a epidemia tem crescido, em grande parte, devido ao não cumprimento de normas preventivas, é muito importante que a escola se transforme num baluarte de prevenção dessa epidemia.
Não se pode ignorar que o grande aumento da mobilidade de alunos, familiares, professores, técnicos e colaboradores da Educação que o início das aulas acarreta, pode representar um acentuado aumento do risco de contaminação.
Por isso a criação de condições para a adopção das medidas preventivas necessárias e o seu rigoroso cumprimento são absolutamente necessários.
A segurança sanitária é, pois, um garante primordial, quer para a o aluno, quer para os professores e para a própria família. E enquanto travamos esta luta, devemos todos estar unidos, seguir as determinações das autoridades, para que o mais breve possível a normalidade possa regressar às nossas vidas, e o riso das nossas crianças, em todo o país, possa atravessar, de uma ponta a outra, os pátios dos nossos recreios.
Quero deixar aqui também o meu reconhecimento ao trabalho realizado pelas autoridades e pelos professores, na adaptação do seu trabalho, inestimável e abnegado, aos novos tempos e às exigências da situação por que o país passa. E nunca é demais reconhecer o papel das famílias, na sua resiliência, como parceiros fundamentais, para que os professores sigam ensinando e os alunos sigam aprendendo, e para que possamos todos cumprir os objectivos estabelecidos.
Dirijo uma palavra de simpatia e conforto à comunidade académica e às famílias da Praia e desejo a todos, alunos, professores, encarregados de educação e a toda a comunidade educativa, um bom início de ano lectivo.

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