PR: A África não pode autoflagelar-se por causa dos conflitos”

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O presidente da República, José Maria Neves, voltou a defender, esta manhã, uma perspetiva positiva para a África, com o Chefe de Estado a avaliar positivamente o desempenho da união Africana que celebra 20 anos em 2022 e a reafirmar a confiança no futuro do continente. Segundo Neves, “a África não pode autoflagelar-se por causa desses conflitos”.

“Esses conflitos, acrescenta, “devem ser geridos naturalmente no quadro desse desenvolvimento institucional do continente.”, afirma o presidente que defende “uma perspetiva positiva do continente africano e cuidar das nossas instituições democraticas e trabalhar para garantir o desenvolvimento sustentável do continente no horizonte de 2030, e cumprir o plano 2063 que foi aprovado em 2013 pela União Africana”.  

Na sua reflexão, Neves frisa que a África “são 55 países e temos três golpes de Estado. Há conflitos, há problemas mas, no quadro do desenvolvimento institucional do continente”. “Assim como há conflitos em outros continentes, designadamente, por razões geo-estratégicas. Basta ver o que é que se passa neste momento na Ucrânia”, sublinha.

O Presidente recorda ainda as duas guerras mundiais no seculo XX e muitos outros conflitos em outros pontos do globo na segunda metade do século passado e com os quais “nós podemos aprender, comparando a África a outros continentes, poder, inclusive, aprender com esses continentes que no século XX tiveram enormes conflitos e milhões de pessoas morreram”, recorda Neves.  

Continuando a sua reflexão, o Presidente aponta que “não podemos é concentrar as questões apenas no continente africano e considerar que é o único espaço do mundo onde há conflitos e há problemas”.

A propósito dos 20 anos da União africana, Neves destaca a aprovação do programa 2063, “que é muito importante enquanto visão, enquanto estratégia de transfirmação do continente africano”, a acrescentar ainda a criação da Zona de Livre Comércio africano que está a arrancar, não obstante alguns constrangimentos que restringem o processo global de desenvolvimento do continente.

Posto isto, o presidente considera que “o balanço é positivo, as perspetivas para o desenvolvimento de África são boas”.

Instado a comentar se haveria a necessidade de se repensar o programa 2063 da União Africana, face às dificuldades de vacinação das populações dos vários países do continente, o Presidente Neves aponta que “o que se deve ser feito é tudo para acelerar o processo de implementação do programa 2063. Aqui, considero que a África não deve ser um muro de lamentações”, ainda que hajam razões para qeuixas da falta de solidariedade internacional em relação às vacinas.

Contudo, “a África deve criar as condições para produzir a sua própria vacina e para produzir medicamentos     ue possam vir a fazer face a esta doença endémica no futuro, que é a COVID-19”. Nisso, o Chefe de Estado cabo-verdiano saúda a criação da primeira fábrica de produção da vacina anti covid-19, na África do Sul, “e que vai produzir milhões de vacinas nos próximos anos, e é uma “BOA NOTÍCIA!”, exclama.

No que tange à Cimeira da CEDEAO em Accra amanhã, 03 de janeiro, Neves recorda que não poderá participar, precisamente, porque estará em viagem para Addis Abeba, Etiópia, para a Cimeira da União Africana, onde terá a oportunidade de reunir-se com o presidente da CEDEAO e do Gana, Nana Akufo Addo e outros Chefes de Estado da região, sobre a atualidade da sub-região.