São Vicente: Presidente ausculta sociedade civil

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O segundo dia da Presidência na Ilha de São Vicente, para além dos cumprimentos de despedida ao homólogo angolano, José Maria Neves dedicou a tarde às audiências, entre as quais duas representações da sociedade civil, a Biosfera e a iniciativa Txan Uvib Cabo Verde que levaram os sues projetos e desafios ao Chefe de Estado.

A começar pela Txan Uvib Cabo Verde, explica a mentora do projeto, Janice da Graça, que tem no cerne das suas preocupações engajar os jovens em torno das grandes causas do país, através de um diálogo intergeracional e que ajude a combater e a alterar a atual descrença que a juventude tem na política e nos políticos.

Através do diagnóstico social feito pela “Txan Uvib Cabo Verde”, os seus promotores puderam perceber “que os jovens têm estado desegajadoda política e que têm uma certa desconfiança, desconforto em relação à participação política”. Daí que, através deste diálogo intergeracional, estes queiram promover “a mediação entre a classe política e entre os jovens e depois, também, entre os jovens e séniores da sociedade civil”, envolvendo investigadores e outros atores que contribuam para o desenvolvimento sustentável do país, na construção de políticas públicas para abrir esse espaço de diálogo onde o jovem seja mais do que “tema de debate”, mas parte do debate dos assuntos do desenvolvimento do país.

Edirlene Mota, Secretária  Executiva do projeto Txan Uvib Cabo Verde, realça que está-se na fase final de seleção de pontos focais para o Txan Uvib que busca assegurar uma presença nacional, contando nos seus rankings com jovens capacitados e muito capazes nas mais diversas áreas. O processo de candidatura dos pontos focais, dizem, contou com mais de 50 candidaturas nos vários municípios, tendo sido já feitas as seleções por um júri externo, a faltar apenas a divulgação e  apresentação pública destes pontos focais.  

Do lado da Biosfera, ONG dedicada à defesa da Biodiversidade marinha, o seu Presidente, Tommy Melo levou a preocupação para com a necessidade da proteção da área marínha protegida da ilha de Santa luzia e que “volvidos quase 20 anos ainda não teve um plano de gestão, o que tem trazido bastantes inconvenientes e barreiras na luta pela preservação daquele ecossistema”, lembrando o biólogo.

Daí que a Biosfera tenha pedido ao Presidente Neves a sua magistratura de influência no sentido de ajudar a “acelerar o processo de obtenção de um plano de gestão” para essa importante ecossistea marinho.

Outra preocupação levada ao mais alto magistrado pela Biosfera têm a ver com a lei que faz da pesca submarina uma atividade comercial e que, afirma estar a trazer “grandes problemas”. Este solicita igualmente os bons ofícios do Presidente da República para ajudar a abrir mais e melhores canais de comunicação e diálogo entre as autoridades ambientais e as ONGs da sociedade civil que trabalham na proteção da biodiversidade marínha.

Ambas representações terão notado grande abertura da parte do Chefe de Estado para com as ideias apresentadas e “a sua disponibilidade em ouvir os anseios da sociedade civil cabo-verdiana”, considera Tommy Mello.

Nesta quinta-feira, para além de apresentações das cartas credenciais de quatro embaixadores não residentes, o Presidente Neves prossegue a auscultação em aucultação de outras representações da sociedade civil, para além da Cãmara do Comércio do Barlavento e do do Bispo da Diocése do Mindelo.