PR exalta prestígio e papel inspirador das FACV na construção da República

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O Presidente da República, José Maria Neves presidiu o Ato Central das Comemorações do 56º Aniversário das Forças Armadas de Cabo Verde, que decorreu na Avenida Cidade de Lisboa, na Praia, tendo aproveitado a ocasião para louvar, mais uma vez, o percurso de uma das mais prestigiadas instituições da República e que constitui um grande motivo de orgulho para todos os cabo-verdianos.

AS FACV, considera o PR, desde a antecâmara da independência Nacional, passando pela abertura democrática, aos dias de hoje, têm sido portadoras e defensoras dos princípios e valores essenciais para a grandeza da República, como a “honra”, o “orgulho, a “generosidade”, o “altruísmo”, a “probidade”, o “mérito”, o “companheirismo”, e o “respeito pelos símbolos nacionais e pelos órgãos de soberania”,  e que tem inspirado gerações de jovens.

É neste contexto, reflete o Mais Alto Magistrado da Nação e Comandante Supremo “que as nossas Forças Armadas tiveram um papel inspirador e mobilizador para uma juventude ávida de poder participar na construção dos alicerces de um país nascente.” 

E acrescenta Essa mentalidade de amor à pátria, de abnegação, de resistência, de entrega a uma causa comum, de disponibilidade para o sacrifício e para o trabalho árduo, de ser forte e resiliente, a capacidade para enfrentar desafios, foram determinantes para cativar a juventude cabo-verdiana, pelo exemplo, para as grandes causas nacionais. Assim como foram e são essenciais para a grandeza da República os princípios e valores da honra, do orgulho, da generosidade, do altruísmo, da probidade e do mérito do companheirismo, do respeito pelos símbolos nacionais e pelos órgãos de soberania e pelas autoridades que as nossas Forças Armadas tão bem têm sabido resgatar e promover.”

Na sua intervenção, o PR Neves incidiu ainda sobre os desafios presentes e futuros das FACV, o PR convida a uma reflexão sobre o papel das FACV nos tempos de hoje, “incluindo a revisão do conceito estratégico de defesa e segurança, num contexto específico de realidade e necessidades de Cabo Verde. Isto na certeza de que o papel reservado às nossas Forças Armadas, foi sofrendo evoluções, sabendo que os desafios e as ameaças também se alteraram ao longo do tempo.”

Confira a intervenção de Sua Excia. O PR, aqui, em vídeo, e o texto escrito, logo em baixo.

 

Discurso do PR por ocasião do 56° aniversário das FACV

Aproveito o ensejo para, na qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas, manifestar a minha satisfação em me associar a esta cerimónia comemorativa de mais um aniversário das Forças Armadas, e agradecer à Senhora Ministra de Estado e da Defesa Nacional, Dra. Janine Lélis pelo convite, que mereceu uma resposta pronta da minha parte.

Endereço as minhas calorosas felicitações a uma instituição cujo percurso constitui um grande motivo de orgulho para todos os cabo-verdianos. Trata-se de uma trajetória, a todos os títulos exemplar, íntima e indissociavelmente ligada aos momentos mais exaltantes da história recente de Cabo Verde, destacando-se o seu papel crucial na antecâmara do período que antecedeu a aurora do dia maior da nossa história;
garantida a independência, a 5 de julho tiveram o privilégio único de hastear e prestar honras, pela primeira vez, à bandeira de Cabo Verde livre e independente; e a partir desse marco histórico, assegurando a soberania e a defesa da nação.

Sempre estiveram à altura das suas responsabilidades, e aqui destaco um momento político com potencial para alguma complexidade, que foi o período de transição para o regime multipartidário, em que, sem veleidades, mantiveram uma posição rigorosamente apartidária, equidistante e republicana, remetendo-se aos quartéis e submetendo-se à Ordem Constitucional, possibilitando que todo o processo
decorresse sem sobressaltos, na tranquilidade e em segurança, com respeito escrupuloso pelas escolhas feitas nas urnas.

Com efeito, as Forças Armadas de Cabo Verde, ao longo dos anos, têm-se revelado portadoras de uma credibilidade crescente e alicerçada numa exemplar postura republicana, de respeito pela Constituição e de garante do Estado de Direito Democrático, que proporcionaram as condições ideais de estabilidade, segurança e tranquilidade, constituindo recursos estratégicos para o desenvolvimento e o prestígio
do país. Esse clima de paz social permitiu que todas as energias fossem mobilizadas e canalizadas para as ingentes tarefas de construção do país e a realização de conquistas socioeconómicas de que hoje nos orgulhamos.

Vale a pena realçar que os primeiros passos como nação independente deste arquipélago, com uma natureza agreste e desprovida de recursos, foram muito desafiantes, pelo que seria necessário um forte sentimento patriótico, de profundo amor ao país, para se poder enfrentar as tarefas hercúleas que se punham na altura, para garantir a sobrevivência do novo Estado e ensaiar o caminho do
desenvolvimento.

É neste contexto que as nossas Forças Armadas tiveram um papel inspirador e mobilizador para uma juventude ávida de poder participar na construção dos alicerces de um país nascente. Essa mentalidade de amor à pátria, de abnegação, de resistência, de entrega a uma causa comum, de disponibilidade para o sacrifício e para o trabalho árduo, de ser forte e resiliente, a capacidade para enfrentar desafios, foram determinantes para cativar a juventude cabo-verdiana, pelo exemplo, para as grandes causas nacionais. Assim como foram e são essenciais para a grandeza da República os princípios e valores da honra, do orgulho, da generosidade, do altruísmo, da probidade e do mérito do companheirismo, do respeito pelos símbolos nacionais e pelos órgãos de soberania e pelas autoridades que as nossas Forças Armadas tão bem têm sabido resgatar e promover.

Tenho trabalhado, nas minhas diferentes funções, em variadas áreas, com quadros das ou que passaram pelas Forças Armadas. Destacam-se pela lealdade, respeito, boa educação e elegância no trato. Gostam de fazer as coisas bem-feitas, valorizam o mérito, respeitam as normas e as regras e cuidam bem do património público. Sabem as fronteiras que não podem ultrapassar e assumem plena e convictamente as suas responsabilidades.

Felizmente, as nossas Forças Armadas têm sido uma escola de virtudes e de cidadania, sendo que essa atitude de pedagogia tem perdurado ao longo do tempo e tem servido de exemplo. Assim se explica que várias gerações de jovens tenham se interessado, acabando por se integrar nesta instituição castrense como pupilos, tendo adquirido formação e destacando-se hoje como quadros respeitados e contribuindo ativamente para o desenvolvimento de Cabo Verde nos mais diversos domínios, desde a música às engenharias, desde o desporto à aeronáutica civil.

Concomitantemente, destacamos o programa soldado-cidadão que tem permitido capacitar com qualificação profissional em diversas áreas, muitos militares do serviço efetivo normal, preparando-os para a inserção no mercado de trabalho em melhores condições, após a sua passagem à disponibilidade. Indiscutivelmente, trata-se de um programa nobre e útil, que deve ser acarinhado e ampliado, de modo a beneficiar um número cada vez maior de soldados, principalmente na atual conjuntura em que se regista elevado desemprego jovem. Desta forma, seriam mais os jovens que, cumprindo o serviço militar, estariam capacitados com melhores ferramentas para enfrentar o competitivo mercado de trabalho.

Faço votos para que todos os jovens que passarem por esta escola, que são as Forças Armadas de Cabo Verde, possam ser cidadãos imbuídos de uma cultura de responsabilidade, de disciplina e de uma ética
elevada, graças à valorização do capital humano.

Por outro lado, fora de portas, os nossos homens de armas têm sido autênticos embaixadores de Cabo Verde, pela sua postura exemplar, sempre que as Forças Armadas foram solicitadas a integrar as forças de manutenção de Paz, no Continente.

Da mesma forma, nas participações em exercícios conjuntos, têm-se destacado pelo
profissionalismo, dedicação e competência. No país, as intervenções nas áreas de proteção ambiental, proteção civil, combate a epidemias, fiscalização da Zona Económica Exclusiva, busca e salvamento, o seu
concurso tem sido de elevada eficácia. Se é certo que estas intervenções se enquadram dentro das suas missões constitucionais, também é verdade que o clima permanente de paz social de que desfrutamos, e que às Forças Armadas somos tributários, tem permitido canalizar a atenção e as energias para estas missões.

Aproveito a oportunidade para congratular o governo pelos esforços no sentido da efetivação da Reforma das Forças Armadas, processo em que a consolidação e o reforço do papel da Guarda Costeira afiguram-se como essenciais, tendo em conta as suas tarefas atuais e a sua capacitação para novas missões.

Espero que todo o prestígio granjeado ao longo dos anos, em termos de visibilidade, de credibilidade e de confiança, deverá ser aproveitado junto dos parceiros internacionais, para, no quadro bilateral ou multilateral, mobilizar recursos visando dotar as nossas Forças Armadas, e a Guarda Costeira em especial, de meios e equipamentos necessários para a realização das suas missões.

Acolho com interesse e julgo ser oportuno, que numa altura em que o mundo enfrenta complexas mudanças e novas ameaças, aproveitemos esta ocasião para reflexões e debates, incluindo a revisão do conceito estratégico de defesa e segurança, num contexto específico de realidade e necessidades de Cabo Verde. Isto na certeza de que o papel reservado às nossas Forças Armadas, foi sofrendo evoluções, sabendo que os desafios e as ameaças também se alteraram ao longo do tempo.

Cabo Verde se revê nas suas Forças Armadas, e eu, enquanto Presidente da República e Comandante Supremo, reitero as minhas felicitações, confiante de que continuarão a ser uma das instituições mais prestigiadas do país, consolidando o espírito de comunidade nacional, nas ilhas e na diáspora, prosseguindo comprometidas com as causas e os objetivos da nossa Pátria, com o empenho e sentido de missão de sempre.

Muito Obrigado!